
imagem do Brasil no cenário internacional nunca esteve tão arranhada. Em menos de dois anos, o país passou de “queridinho da esquerda global” a um pária em Israel, alvo de desconfiança nos EUA, e tema de severas críticas na Europa.
O presidente Lula já é formalmente tratado como "persona non grata" em Israel, depois de ter defendido publicamente o grupo terrorista Hamas em meio à guerra no Oriente Médio. Em Washington, a Casa Branca e principalmente Donald Trump levantaram suspeitas sobre as “ligações perigosas” de Lula com ditadores latino-americanos e com regimes autoritários como China, Rússia, Cuba, Venezuela e Nicarágua. E para completar o vexame, agora é o Judiciário brasileiro, e particularmente o ministro Alexandre de Moraes, que se torna alvo de críticas duríssimas ao redor do mundo.
O episódio mais recente veio do eurodeputado espanhol Hermann Tertsch, líder do Vox e uma das vozes mais fortes da direita europeia. Em uma publicação no X (antigo Twitter), Tertsch não economizou palavras: chamou Moraes de “carrasco da democracia no Brasil” e “operador da ditadura”, acusando-o de soltar Lula - “preso justamente por ladrão e corrupto” - e encher as cadeias de presos políticos.
A acusação é pesada, mas não isolada. O próprio Donald Trump, presidente dos EUA, já declarou que o STF brasileiro, liderado por Moraes em várias frentes, promove censura, persegue opositores e até mesmo age contra empresas americanas em investigações sem transparência, o que para ele configura uma “caça às bruxas” incompatível com um Estado Democrático de Direito.
Então, por que a comunidade internacional começa a enxergar o Brasil como um país em processo de “ditaduração”? Por que Moraes, longe de ser visto como um magistrado, é chamado de autoritário e até de ditador?
A resposta parece residir em um ponto central: o STF brasileiro e especialmente Alexandre de Moraes vêm agindo fora do espírito e da letra da Constituição, em interpretações esticadas da lei para justificar censura prévia, prisões preventivas prolongadas e decisões monocráticas que ignoram o devido processo legal. Para críticos, o ministro transformou um tribunal constitucional em trincheira política, assumindo para si funções que extrapolam a judicatura e avançam sobre o Executivo e o Legislativo.
Essas práticas não passam despercebidas em países com democracias mais consolidadas, onde liberdade de expressão e presunção de inocência são princípios inegociáveis. Ao anular a Lava Jato, livrar Lula, punir opositores com base em inquéritos polêmicos e perseguir veículos de imprensa independentes, o STF e Moraes vem consolidando no exterior a imagem de um “xerife” que opera com mão de ferro, e não de um juiz equilibrado.
É essa percepção que transforma a democracia brasileira em motivo de desconfiança lá fora - uma caricatura de país livre, cada vez mais parecido com os regimes autoritários que Lula insiste em cortejar.
O Brasil, infelizmente, virou um caso de estudo para quem quer entender como uma democracia pode ser desmontada “por dentro”, sob aplausos parciais e o silêncio conveniente de parte da sociedade. E isso é grave, porque pode isolar o país em organismos multilaterais, reduzir investimentos externos e afundar ainda mais nossa credibilidade.
O alerta está dado. O vexame internacional é apenas um reflexo do que já estamos vivendo aqui dentro: um Judiciário que se arvora em poder supremo, um Executivo enfraquecido e uma democracia de fachada.
Se nada mudar, vamos continuar vendo “carrascos” no topo e o povo no rodapé da história.
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