
Já não é raro - e pior: começa a parecer normal. Policiais civis continuam tombando, friamente executados no estrito cumprimento do dever, sem que a sociedade ou o Estado se movam com a indignação proporcional ao crime.
Dois casos recentes escancaram essa chaga: em setembro passado, o investigador 'Marcelo Soares', do DRACO/PI, foi morto durante a Operação Turismo Criminoso, no Maranhão, enquanto dava cumprimento a um mandado de prisão contra Bruno Manoel Gomes Arcanjo. Bruno abriu fogo sem pestanejar e atingiu Marcelo na axila, tirando-lhe a vida.
Poucos meses depois, a cena se repetiu. Desta vez com o delegado 'Márcio Mendes', lotado em Caxias/MA. Na quinta-feira (10), ele e sua equipe foram recebidos a tiros por Leandro da Silva Sousa - que confessou o crime - ao tentarem prender o suspeito em sua casa. Márcio foi atingido no pescoço e morreu ali mesmo. Dois outros agentes saíram feridos.
Os dois episódios provam que “algo de errado não está certo”. Bandidos perderam qualquer medo, qualquer respeito - e atiram para matar, mesmo sabendo que do outro lado está um policial. E o que faz a sociedade? Silencia. Onde estão os protestos, os manifestos, as faixas e passeatas? Quando o criminoso morre, há barulho. Quando um policial morre, o silêncio é quase cúmplice, um silêncio que parece comemorar.
Quando morre um bandido em conflito com a polícia, a sociedade fica eufórica: entidades de direitos humanos fazem barulho, protestos, passeatas, atos públicos. Partidos de esquerda levantam bandeiras indignadas. Se a vítima é de cor, a reação é geral: “vidas negras importam”.
Pintam muros, imprimem cartazes, confeccionam faixas, ocupam praças, e a mídia amplifica tudo ao máximo. Mas quando quem tomba é um agente da lei, um policial, um militar, um delegado, a notícia é fria, quase gelada. É lida sem empatia. Não há barulho, nem protestos. Não há manifestação em praça pública. Cadê as faixas e cartazes pedindo justiça para Marcelo ou Márcio? Nenhum. Nada. Amanhã já caiu no esquecimento. Talvez só se fale nos casos quando tombar mais um policial no estrito cumprimento do dever. A hipocrisia reina. Infelizmente.
A polícia não é inimiga da sociedade. O policial não é inimigo do cidadão. Eles existem para nos proteger. O inimigo é o bandido, o estuprador, o assassino, o corrupto. E é preciso dizer isso com todas as letras.
A Associação de Delegados do Estado do Maranhão - Adepol/MA já deixou claro: a morte de Márcio não foi acidente inevitável. Foi consequência direta de falhas estruturais que todos conhecem - e ninguém resolve. A entidade apresentou um pacote de medidas urgentes: reforço de efetivo, protocolos operacionais claros, rádios modernos para áreas rurais, EPIs adequados, plantões dignos, delegacias seguras. Tudo básico. Nada utópico. E mesmo assim, ignorado.
Até quando o Estado vai tolerar que a vida de seus agentes seja jogada fora como um uniforme velho? Até quando a sociedade vai tolerar ver aqueles que a defendem morrerem sem reação?
Os casos de Marcelo e Márcio são um aviso brutal: se nada mudar, o próximo corpo pode ser amanhã. E, dessa vez, talvez não haja ninguém sequer para carregar a bandeira.
Chega. Basta. Policiais merecem respeito, proteção e reconhecimento. A polícia não pode continuar sendo o alvo fácil de um Estado covarde e de uma sociedade hipócrita.
ESCOLA DO RECIFE Tobias Barreto de Menezes: o jurista que revolucionou o pensamento jurídico brasileiro
NAS MÃOS DOS COIOTES Fugindo do “inferno”: por que milhares de cubanos agora escolhem o Brasil para recomeçar a vida?
ATENAS ALAGOANA Penedo: a Atenas do Nordeste que encantou Dom Pedro II e preserva quase cinco séculos de história às margens do Velho Chico
REJEIÇÃO INTERNA Vinícius Dias expõe resistência no PT e revela por que Iasmin recuou da suplência
POLÍCIA FEDERAL Quanto mais mexe, mais fede: cerco da PF aperta e Jaques Wagner vira problema para o Planalto
ACESSO A PF E PGR Vorcaro não queria influência. Queria acesso ao topo da República
JUSTIÇA DO TRABALHO Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público
PROPINODUTO MASTER A queda da engolideira: quando o Banco Master deixou de ser banco para virar máquina de poder
TURISMO AMERICANO Ranking revela as melhores cidades dos Estados Unidos em 2026: por onde começar a realizar o sonho americano?
Mín. 23° Máx. 32°