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Polícia É POSSÍVEL EVITAR

Quando um policial morre, o silêncio é cúmplice: algo precisa mudar, já!

Assassinatos de policiais como Marcelo Soares e Márcio Mendes expõem desprezo pela vida de agentes da lei e omissão do Estado diante de um cenário insustentável

12/07/2025 às 13h40 Atualizada em 12/07/2025 às 18h32
Por: Douglas Ferreira
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Presidente da Adepol/MA, delegado Márcio Fábio Dominici diz que a morte de Márcio Mendes não foi um acidente inevitável - Foto: Reprodução
Presidente da Adepol/MA, delegado Márcio Fábio Dominici diz que a morte de Márcio Mendes não foi um acidente inevitável - Foto: Reprodução

Já não é raro - e pior: começa a parecer normal. Policiais civis continuam tombando, friamente executados no estrito cumprimento do dever, sem que a sociedade ou o Estado se movam com a indignação proporcional ao crime.

Dois casos recentes escancaram essa chaga: em setembro passado, o investigador 'Marcelo Soares', do DRACO/PI, foi morto durante a Operação Turismo Criminoso, no Maranhão, enquanto dava cumprimento a um mandado de prisão contra Bruno Manoel Gomes Arcanjo. Bruno abriu fogo sem pestanejar e atingiu Marcelo na axila, tirando-lhe a vida.

Poucos meses depois, a cena se repetiu. Desta vez com o delegado 'Márcio Mendes', lotado em Caxias/MA. Na quinta-feira (10), ele e sua equipe foram recebidos a tiros por Leandro da Silva Sousa - que confessou o crime - ao tentarem prender o suspeito em sua casa. Márcio foi atingido no pescoço e morreu ali mesmo. Dois outros agentes saíram feridos.

Os dois episódios provam que “algo de errado não está certo”. Bandidos perderam qualquer medo, qualquer respeito - e atiram para matar, mesmo sabendo que do outro lado está um policial. E o que faz a sociedade? Silencia. Onde estão os protestos, os manifestos, as faixas e passeatas? Quando o criminoso morre, há barulho. Quando um policial morre, o silêncio é quase cúmplice, um silêncio que parece comemorar.

Quando morre um bandido em conflito com a polícia, a sociedade fica eufórica: entidades de direitos humanos fazem barulho, protestos, passeatas, atos públicos. Partidos de esquerda levantam bandeiras indignadas. Se a vítima é de cor, a reação é geral: “vidas negras importam”.

Pintam muros, imprimem cartazes, confeccionam faixas, ocupam praças, e a mídia amplifica tudo ao máximo. Mas quando quem tomba é um agente da lei, um policial, um militar, um delegado, a notícia é fria, quase gelada. É lida sem empatia. Não há barulho, nem protestos. Não há manifestação em praça pública. Cadê as faixas e cartazes pedindo justiça para Marcelo ou Márcio? Nenhum. Nada. Amanhã já caiu no esquecimento. Talvez só se fale nos casos quando tombar mais um policial no estrito cumprimento do dever. A hipocrisia reina. Infelizmente.

A polícia não é inimiga da sociedade. O policial não é inimigo do cidadão. Eles existem para nos proteger. O inimigo é o bandido, o estuprador, o assassino, o corrupto. E é preciso dizer isso com todas as letras.

A Associação de Delegados do Estado do Maranhão - Adepol/MA já deixou claro: a morte de Márcio não foi acidente inevitável. Foi consequência direta de falhas estruturais que todos conhecem - e ninguém resolve. A entidade apresentou um pacote de medidas urgentes: reforço de efetivo, protocolos operacionais claros, rádios modernos para áreas rurais, EPIs adequados, plantões dignos, delegacias seguras. Tudo básico. Nada utópico. E mesmo assim, ignorado.

Até quando o Estado vai tolerar que a vida de seus agentes seja jogada fora como um uniforme velho? Até quando a sociedade vai tolerar ver aqueles que a defendem morrerem sem reação?

Os casos de Marcelo e Márcio são um aviso brutal: se nada mudar, o próximo corpo pode ser amanhã. E, dessa vez, talvez não haja ninguém sequer para carregar a bandeira.

Chega. Basta. Policiais merecem respeito, proteção e reconhecimento. A polícia não pode continuar sendo o alvo fácil de um Estado covarde e de uma sociedade hipócrita.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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