
A situação do Brasil no cenário internacional começa a azedar de vez - e o episódio mais recente é simbólico: o governo Lula desistiu de disputar uma cadeira na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da OEA. E não, não foi só por causa do embate diplomático com Donald Trump. A verdade, nua e crua, é que o Brasil simplesmente não tem mais estatura moral para pleitear a vaga.
É constrangedor, para dizer o mínimo, que um país acusado de atropelar garantias constitucionais, de usar tribunais como armas políticas e de desrespeitar sistematicamente a liberdade de expressão insista em se apresentar ao mundo como guardião dos direitos humanos. Analistas internacionais já chamam a desistência de “o começo do fim”: o isolamento diplomático do Brasil ganha contornos dramáticos, com impactos que não atingem só este governo, mas mancham a imagem do país e, claro, recaem sobre o povo brasileiro.
Nos bastidores, o Itamaraty tentou vender a narrativa de que a desistência favoreceria um “consenso” em torno do candidato do México. Lorota. O vexame já era inevitável: o candidato brasileiro, Fábio de Sá e Silva, recebeu apenas três votos - contra 23 do mexicano. Resultado pífio para um país que um dia já foi protagonista na defesa de direitos humanos nas Américas.
Pior: o Brasil não apenas perde a vaga como fortalece uma CIDH cada vez mais alinhada a pautas conservadoras, sobretudo após a eleição da cubano-americana Rosa María Payá, apoiada por Trump e ferrenha crítica de regimes autoritários de esquerda. Ou seja, o governo Lula tenta vender bravata política para encobrir a dura realidade: a credibilidade internacional do Brasil ruiu.
Essa desistência é um marco do retrocesso - um sinal inequívoco de que os “truques” diplomáticos do Planalto já não enganam ninguém. Governar com discursos analógicos numa era digital tem seu preço. E agora o mundo cobra a conta.
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