
O Senado dos Estados Unidos aprovou por margem apertada, na última terça-feira (1º), um pacote orçamentário proposto pelo ex-presidente Donald Trump, que inclui cortes em programas sociais, ampliação de gastos com defesa e mudanças na política fiscal. A medida, que retoma isenções tributárias criadas em 2017, ainda precisa passar por nova votação na Câmara antes de seguir para sanção presidencial. Trump quer assinar a nova lei até o feriado da Independência, na sexta-feira (4).
Entre os principais pontos do projeto estão o aumento dos recursos para as Forças Armadas, com destaque para o sistema de defesa espacial “Golden Dome”, e o investimento de US$ 175 bilhões em medidas de controle de imigração. Em contrapartida, haverá cortes severos em programas como Medicaid, assistência alimentar e educação. Estima-se que 3 milhões de pessoas perderão o acesso a benefícios como o SNAP, programa de suplementação alimentar que atende 42 milhões de norte-americanos.
A proposta também prevê isenções fiscais para gorjetas e horas extras, além de deduções para empresas e idosos. Por outro lado, impõe exigências mais rígidas para o acesso à saúde pública e educação, incluindo a obrigatoriedade de 80 horas mensais de trabalho para receber o Medicaid e restrições ao crédito estudantil. Medidas que, segundo críticos, atingem diretamente a população mais vulnerável, enquanto favorecem os mais ricos com a manutenção de cortes de impostos bilionários.
O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estima que o pacote adicione US$ 3,3 trilhões à dívida pública dos EUA, que já ultrapassa os US$ 36 trilhões. Analistas afirmam que o aumento da dívida representa uma transferência de recursos das gerações futuras para as atuais, comprometendo investimentos públicos e a estabilidade econômica do país nas próximas décadas.
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