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Justiça MANOBRA OU JUSTIÇA?

Pinato, Onyx e a cortina de fumaça no escândalo do INSS

Citações vagas a dois ex-aliados de Bolsonaro surgem no momento em que o governo Lula é pressionado pelo maior escândalo da Previdência. Com Toffoli requisitando os inquéritos, cresce a suspeita de manobra para desviar o foco dos verdadeiros responsáveis e blindar o Planalto

24/06/2025 às 19h32 Atualizada em 25/06/2025 às 17h40
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Onyx Lorenzoni e Fausto Pinato dizem não ter relação alguma com Macedo - Foto: Reprodução
Onyx Lorenzoni e Fausto Pinato dizem não ter relação alguma com Macedo - Foto: Reprodução

O maior escândalo da história do INSS segue sem responsáveis atrás das grades. Nenhuma autoridade presa. Nenhum “peixe graúdo” punido. Nenhum dos mais de 6 milhões de aposentados e viúvas lesados foi ressarcido. E o mais estarrecedor: o presidente Lula pediu ao STF para não autorizar indenizações às vítimas do esquema criminoso.

Como explicar tamanha passividade diante de uma fraude de mais de R$ 6,3 bilhões, que atingiu os mais frágeis da sociedade? Onde estão os culpados? Por que ainda não vimos algemas em quem deveria estar respondendo judicialmente por permitir - ou facilitar - a farra com o contracheque dos aposentados?

Blindagem, silêncio e destruição da credibilidade

O que se vê é um governo acuado, mas protegido. Um silêncio ensurdecedor vindo do Judiciário, do Ministério Público e até da imprensa que, em outros tempos, estaria pedindo cabeças. A imagem de Lula e a credibilidade do seu terceiro mandato estão seriamente comprometidas - talvez de forma irreversível. A mancha na história de seu governo está estampada no rosto das vítimas: idosos pobres, doentes, abandonados e humilhados.

E enquanto a máquina pública se move lentamente - ou propositalmente se cala -, a narrativa oficial tenta enganar a opinião pública com slogans vazios: “Lula salvou os aposentados”. Salvou de quê? De quem? Se o golpe ocorreu justamente durante seu governo, após ele revogar as portarias de proteção criadas na gestão Bolsonaro, como pode se apresentar agora como salvador?

Pinato e Onyx: a cortina de fumaça

Do nada, surgem os nomes do deputado Fausto Pinato (PP/SP) e do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL/RS). Ambos foram citados em ofício da Polícia Federal ao STF, o que bastou para gerar manchetes e especulações.

Mas a pergunta que ecoa é simples: o que exatamente estão querendo encobrir?

A suposta ligação entre os dois políticos e Felipe Gomes Macedo, presidente da Amar Brasil (empresa envolvida na fraude), parece forçada — quase um enredo montado. Onyx teria recebido uma doação legal e declarada de R$ 60 mil da empresa. Pinato teria alugado um escritório meses depois de o mesmo ter sido usado por Macedo.

E só. Sem provas robustas, sem conexão clara com o esquema, sem nada de concreto. Apenas suposições, plantadas estrategicamente para gerar ruído. Uma cortina de fumaça, pura e simples.

Toffoli, inquéritos e o espetáculo da fumaça

O ministro Dias Toffoli do STF, requisitou todos os inquéritos da Operação Sem Desconto. A justificativa: surgiram os nomes de Onyx e Pinato. Mas há um desconforto evidente: por que só agora esses nomes aparecem? Por que Toffoli se interessa apenas depois da exposição desses dois parlamentares?

O gesto soa como pirotecnia judicial. Um novo episódio no espetáculo que desvia o foco da verdadeira questão: quem, dentro do governo atual, sabia e nada fez? Quem autorizou os acordos com entidades fantasmas? Quem mandou derrubar as barreiras de segurança implantadas no governo anterior?

Conclusão: o estrago está feito - e ninguém pagou

Enquanto isso, o estrago já está feito:

  • Lula vê sua imagem corroída por um esquema que floresceu sob sua gestão;

  • A confiança dos brasileiros na Previdência e nas instituições foi dilacerada;

  • Milhões de aposentados seguem no prejuízo, sem justiça, sem ressarcimento, sem resposta.

E o mais trágico: o sistema de proteção social do Brasil foi transformado em balcão de negócios, em nome de interesses obscuros, políticos ou financeiros. Se a justiça fosse cega e imparcial, a essa altura já teríamos prisões, devoluções e punições. Mas o que temos é o oposto: blindagem seletiva, espetáculo ensaiado e impunidade garantida.

Até quando?

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