
O maior escândalo da história do INSS segue sem responsáveis atrás das grades. Nenhuma autoridade presa. Nenhum “peixe graúdo” punido. Nenhum dos mais de 6 milhões de aposentados e viúvas lesados foi ressarcido. E o mais estarrecedor: o presidente Lula pediu ao STF para não autorizar indenizações às vítimas do esquema criminoso.
Como explicar tamanha passividade diante de uma fraude de mais de R$ 6,3 bilhões, que atingiu os mais frágeis da sociedade? Onde estão os culpados? Por que ainda não vimos algemas em quem deveria estar respondendo judicialmente por permitir - ou facilitar - a farra com o contracheque dos aposentados?
O que se vê é um governo acuado, mas protegido. Um silêncio ensurdecedor vindo do Judiciário, do Ministério Público e até da imprensa que, em outros tempos, estaria pedindo cabeças. A imagem de Lula e a credibilidade do seu terceiro mandato estão seriamente comprometidas - talvez de forma irreversível. A mancha na história de seu governo está estampada no rosto das vítimas: idosos pobres, doentes, abandonados e humilhados.
E enquanto a máquina pública se move lentamente - ou propositalmente se cala -, a narrativa oficial tenta enganar a opinião pública com slogans vazios: “Lula salvou os aposentados”. Salvou de quê? De quem? Se o golpe ocorreu justamente durante seu governo, após ele revogar as portarias de proteção criadas na gestão Bolsonaro, como pode se apresentar agora como salvador?
Do nada, surgem os nomes do deputado Fausto Pinato (PP/SP) e do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL/RS). Ambos foram citados em ofício da Polícia Federal ao STF, o que bastou para gerar manchetes e especulações.
Mas a pergunta que ecoa é simples: o que exatamente estão querendo encobrir?
A suposta ligação entre os dois políticos e Felipe Gomes Macedo, presidente da Amar Brasil (empresa envolvida na fraude), parece forçada — quase um enredo montado. Onyx teria recebido uma doação legal e declarada de R$ 60 mil da empresa. Pinato teria alugado um escritório meses depois de o mesmo ter sido usado por Macedo.
E só. Sem provas robustas, sem conexão clara com o esquema, sem nada de concreto. Apenas suposições, plantadas estrategicamente para gerar ruído. Uma cortina de fumaça, pura e simples.
O ministro Dias Toffoli do STF, requisitou todos os inquéritos da Operação Sem Desconto. A justificativa: surgiram os nomes de Onyx e Pinato. Mas há um desconforto evidente: por que só agora esses nomes aparecem? Por que Toffoli se interessa apenas depois da exposição desses dois parlamentares?
O gesto soa como pirotecnia judicial. Um novo episódio no espetáculo que desvia o foco da verdadeira questão: quem, dentro do governo atual, sabia e nada fez? Quem autorizou os acordos com entidades fantasmas? Quem mandou derrubar as barreiras de segurança implantadas no governo anterior?
Enquanto isso, o estrago já está feito:
Lula vê sua imagem corroída por um esquema que floresceu sob sua gestão;
A confiança dos brasileiros na Previdência e nas instituições foi dilacerada;
Milhões de aposentados seguem no prejuízo, sem justiça, sem ressarcimento, sem resposta.
E o mais trágico: o sistema de proteção social do Brasil foi transformado em balcão de negócios, em nome de interesses obscuros, políticos ou financeiros. Se a justiça fosse cega e imparcial, a essa altura já teríamos prisões, devoluções e punições. Mas o que temos é o oposto: blindagem seletiva, espetáculo ensaiado e impunidade garantida.
Até quando?
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