
No momento em que o Brasil enfrenta sérias turbulências econômicas, instabilidade política e perda de confiança de setores estratégicos, o presidente Lula (PT) embarca em sua 10ª viagem internacional só este ano. Como se não bastasse, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também decidiu tirar férias. O recado implícito é claro: os problemas nacionais podem esperar - ou que se danem.
O mais simbólico nessa viagem ao Canadá é que Lula foi excluído até mesmo da lista de países observadores do G7, grupo que reúne as nações mais ricas e influentes do mundo. Enquanto África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Índia e México garantiram lugar como observadores oficiais, o Brasil foi relegado a um papel secundário na chamada "reunião ampliada".
Para muitos analistas, trata-se de um rebaixamento diplomático claro - um sinal de que o prestígio internacional do país vem se deteriorando. Não se trata apenas de vaidade protocolar. Estar entre os observadores é estar próximo das decisões geopolíticas centrais, é ser ouvido. E o Brasil foi excluído desse círculo.
O presidente, ao desembarcar em Calgary, reagiu com desdém, minimizando a importância do G7 e dizendo que o grupo nem deveria existir. Mas a retórica não mascara o constrangimento. Se antes o Brasil era convidado para as mesas principais, agora mal é chamado para a antessala.
O que pesou nesse rebaixamento?
Entre os fatores apontados estão:
O descrédito nas instituições democráticas brasileiras, refletido nas ações do governo e na postura da Suprema Corte;
A política econômica instável, marcada por aumentos de impostos, queda na confiança do mercado e fuga de investimentos;
O enfraquecimento das relações diplomáticas tradicionais, com uma política externa oscilante e, por vezes, ideologizada;
A perda de protagonismo no cenário internacional, com ausência de liderança regional e global.
Para piorar, a viagem ocorre dias após o governo anunciar medidas que afetam justamente os setores onde a rejeição ao PT é mais forte - com aumentos tributários sobre a classe média e segmentos empresariais. Em vez de buscar diálogo e governabilidade, Lula parece optar pela retaliação, tanto no discurso quanto na prática.
Enquanto isso, Haddad “desaparece” em férias, em plena turbulência fiscal, e o presidente se dedica à diplomacia de eventos, discursos e afagos com líderes internacionais. Mas com cada vez menos escuta e mais indiferença.
A ausência do Brasil entre os observadores do G7 é mais do que um detalhe diplomático - é um sintoma do isolamento internacional e do enfraquecimento do país como ator global. E o que Lula foi fazer lá? Difícil saber. Mas certamente, não foi exercer protagonismo.
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