
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) deixou o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Piauí na tarde desta terça-feira (03), após a juíza Júnia Maria Bezerra Feitosa Fialho, da 1ª Zona Eleitoral de Teresina, conceder prisão domiciliar em razão do seu estado de saúde. Tatiana saiu do QCG às 14h35 em uma viatura do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), seguiu para instalação de tornozeleira eletrônica e, em seguida, será conduzida à residência de familiares.
A vereadora socialista, Tatiana Medeiros (PSB), presa desde 3 de abril na segunda fase da Operação Escudo Eleitoral da Polícia Federal, teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar. A decisão foi proferida pela juíza Júnia Maria Bezerra Feitosa Fialho, da 1ª Zona Eleitoral de Teresina, com base no estado de saúde da parlamentar, que apresenta quadro grave de depressão, ideação suicida e necessidade de tratamento psiquiátrico contínuo e supervisionado.
Tatiana é acusada de envolvimento com a facção criminosa Bonde dos 40 e de utilizar recursos ilícitos para financiar sua pré-campanha à eleição em 2024. Ela responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. A Justiça Eleitoral já aceitou a denúncia, tornando-a ré no processo.
Apesar da substituição da prisão preventiva pela domiciliar, Tatiana Medeiros está submetida a diversas medidas cautelares restritivas. Entre elas:
Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, com reavaliação em 90 dias;
Recolhimento domiciliar integral, com permissão para sair de casa apenas para atendimentos médicos urgentes ou consultas previamente autorizadas pela Justiça;
Proibição de acesso à internet, redes sociais e sistemas de órgãos públicos;
Afastamento imediato do cargo de vereadora, com proibição de exercer funções públicas durante o andamento do processo;
Impedimento de entrada nas dependências da Câmara Municipal de Teresina;
Proibição de contato com servidores da Casa Legislativa.
A Justiça também determinou que as medidas sejam reavaliadas a cada três meses, a depender da evolução do quadro clínico e das condições do processo.
Desde que foi presa, Tatiana apresentou agravamento do estado de saúde mental. Segundo a defesa, a vereadora passou por várias crises de ansiedade e episódios de depressão severa. No dia 21 de maio, ela foi levada inconsciente para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) após ingerir excesso de medicação utilizada no tratamento psiquiátrico. Houve outro episódio grave nos dias 29 e 30 de maio, quando precisou ser reanimada após novo colapso dentro do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, onde estava detida.
Diante da gravidade do quadro e da recomendação médica por tratamento fora do ambiente prisional, a Justiça considerou que a prisão domiciliar associada a medidas restritivas seria mais adequada no momento.
Além da vereadora, a Justiça tornou réus pessoas próximas a ela, entre familiares, assessores e funcionários de uma ONG ligada à parlamentar. São eles:
Alandilson Cardoso Passos (namorado);
Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã);
Bruna Raquel Lima Sousa (funcionária da ONG Instituto Vamos Juntos);
Emanuelly Pinho de Melo (assessora parlamentar);
Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado);
Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe);
Sávio de Carvalho França (funcionário da ONG Instituto Vamos Juntos);
Stênio Ferreira Santos (padrasto).
Todos são investigados por participação no mesmo esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro com possíveis vínculos com organização criminosa.
Com a decisão judicial, Tatiana Medeiros está formalmente afastada do cargo de vereadora e proibida de exercer qualquer função pública enquanto durar o processo. A vaga continua ocupada pelo suplente, conforme determina o Regimento Interno da Câmara Municipal de Teresina. O afastamento é uma medida cautelar e poderá ser reavaliado conforme o desenrolar do processo judicial e do estado de saúde da parlamentar.
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