Segunda, 29 de Junho de 2026
23°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Internacional AFUNDANDO

Jacarta afunda e faz surgir Nusantara, a nova capital da Indonésia no coração da floresta de Bornéu

Jacarta, uma das cidades mais populosas do mundo, está literalmente afundando. Quarenta por cento da metrópole de 10,5 milhões de habitantes está abaixo do nível do mar, tornando-a a cidade que mais afunda no planeta

20/08/2024 às 16h16 Atualizada em 20/08/2024 às 17h03
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
A nova capital no meio da floresta de Bornéu - Foto: Reprodução nel
A nova capital no meio da floresta de Bornéu - Foto: Reprodução nel

O avanço do mar em diversas partes do mundo tem colocado em risco praias deslumbrantes, vilas de pescadores e comunidades inteiras, incluindo o litoral brasileiro. No Piauí, praias como Pedra do Sal, em Parnaíba, e Macapá, em Luís Correia, estão sendo lentamente engolidas pelo oceano. Em Macapá, uma pousada inteira já foi tomada pelas águas. 

Veneza, na Itália, afunda lentamente, assim como Bangkok, Nova York, Roterdã e a Cidade do México. Porém, nenhuma dessas cidades enfrenta uma crise tão alarmante quanto Jacarta, a capital da Indonésia. A situação é crítica, e o índice de emergência vivido por Jacarta e seus habitantes não encontra paralelo no mundo atualmente.

Jacarta, uma das cidades mais populosas do mundo, está literalmente afundando. Quarenta por cento da metrópole de 10,5 milhões de habitantes está abaixo do nível do mar, tornando-a a cidade que mais afunda no planeta. O congestionamento, a poluição e a degradação ambiental agravaram ainda mais a situação, levando o governo indonésio a tomar uma decisão audaciosa: construir uma nova capital do zero, no meio da floresta de Bornéu.

 

O ambicioso projeto, liderado pelo presidente Joko Widodo, visa criar Nusantara, uma cidade verde e tecnologicamente avançada, concebida como o maior legado de sua presidência. Anunciado em 2019, o plano tomou forma em 2022, com a construção da nova capital a todo vapor. Nusantara, que será duas vezes maior que Nova York, promete integrar a natureza com a infraestrutura moderna, com mais de 60% de sua área dedicada a espaços verdes.

No entanto, o projeto de US$ 33 bilhões enfrenta desafios significativos. O governo, responsável por apenas um quinto desse valor, luta para garantir o restante dos investimentos por meio da iniciativa privada. A viabilidade econômica da nova capital, assim como sua sustentabilidade ambiental, é motivo de controvérsia, especialmente entre ambientalistas preocupados com a degradação do habitat de espécies ameaçadas, como os orangotangos.

Além disso, há dúvidas entre os futuros moradores de Nusantara, muitos dos quais são funcionários públicos que serão os primeiros a se mudar para a nova cidade. A infraestrutura inacabada e as incertezas sobre a qualidade de vida na nova capital geram hesitação entre os funcionários e suas famílias.

Nusantara é vista como uma oportunidade para redistribuir riqueza e recursos no vasto arquipélago indonésio, aliviando a pressão sobre Jacarta e Java, a ilha mais densamente povoada do país. Contudo, as populações indígenas próximas à nova capital temem ser deixadas para trás, com o risco de suas identidades culturais serem perdidas no processo de urbanização.

Com um design futurista e exclusivista, Nusantara corre o risco de se tornar uma cidade voltada apenas para as elites, criando disparidades socioeconômicas semelhantes às que afligem Jacarta. À medida que o projeto avança, a Indonésia se encontra no limiar entre a inovação e a preservação, buscando um futuro que equilibre desenvolvimento e sustentabilidade em meio à crescente ameaça do avanço do mar e da degradação ambiental.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários