Domingo, 28 de Junho de 2026
29°

Tempo nublado

Teresina, PI

Justiça PALAVRA DO SENADOR

Ciro Nogueira e Tarcísio depõem como testemunhas de Bolsonaro no STF: O que está em jogo?

Senador piauiense e governador paulista devem negar envolvimento em tentativa de golpe. Depoimentos ocorrem por videoconferência e integram fase crucial da ação penal contra aliados do ex-presidente

30/05/2025 às 06h39
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Ciro Nogueira deve dizer ao STF que não houve qualquer ordem discussão ou ordem para impedir posse de Lula - Foto: Reprodução
Ciro Nogueira deve dizer ao STF que não houve qualquer ordem discussão ou ordem para impedir posse de Lula - Foto: Reprodução

Nesta sexta-feira (29), o senador piauiense Ciro Nogueira (PP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), prestam depoimento como testemunhas de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Eles fazem parte da lista de 11 testemunhas ouvidas no âmbito da ação penal (AP 2668), que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Os depoimentos, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorrem por videoconferência, como tem sido padrão desde o início das oitivas. As audiências começaram às 8h da manhã e seguirão durante toda a tarde. O processo se encontra na segunda fase da instrução criminal, voltada à produção de provas, e se aproxima de seu desfecho. A expectativa é que as oitivas sejam concluídas até o dia 2 de junho.

O que Ciro Nogueira tem a dizer?

Ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, Ciro Nogueira é uma figura central do bolsonarismo político no Congresso. Sua convocação como testemunha é estratégica: a defesa pretende usar seu depoimento para negar qualquer intenção golpista por parte do ex-presidente e de seus aliados mais próximos. A expectativa nos bastidores é que Ciro reitere que jamais houve discussão ou ordem para obstrução da posse de Lula, tampouco articulação institucional para um golpe.

Fontes próximas ao senador apontam que ele deve reconhecer a derrota eleitoral de 2022 como um fato incontestável, reforçando a linha de argumentação de que o governo Bolsonaro seguiu os trâmites democráticos até o fim do mandato, mesmo com os protestos e agitações no entorno do 8 de Janeiro.

Depoimentos que valem mais que palavras

Além de Ciro e Tarcísio, também estão entre as testemunhas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e outros ex-integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro. A lista inclui nomes como o coronel Wagner de Oliveira, envolvido na apuração das eleições pelo Ministério da Defesa, e Giuseppe Janino, ex-secretário de tecnologia da informação do TSE.

O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, figura como um nome com peso técnico e institucional. Sua participação também tem o objetivo de descolar a gestão Bolsonaro de qualquer tentativa concreta de subversão democrática. A expectativa é que ele afirme não ter presenciado planos ou conversas de teor golpista durante seu tempo como ministro da Infraestrutura.

Cenário político e silêncio calculado

O ambiente político no entorno desses depoimentos é de máxima tensão. Aliados de Bolsonaro se dividem entre o apoio público e o silêncio estratégico. O próprio ex-presidente, em gesto simbólico, desistiu de ouvir quatro testemunhas às vésperas das oitivas, incluindo os ex-ministros Gilson Machado e Eduardo Pazuello.

Já foram ouvidas 43 testemunhas por videoconferência, com duas prestações de declaração escrita. Outras 21 ainda devem ser ouvidas, a menos que haja novas desistências ou mudanças estratégicas.

Ao fim da instrução, Moraes deverá marcar o interrogatório dos réus, entre eles Bolsonaro, Anderson Torres e o general Paulo Sérgio Nogueira. Depois disso, o processo entra na fase das alegações finais.

Expectativa de Ciro Nogueira

Nos bastidores, Ciro tem mantido discrição sobre o depoimento, mas aliados afirmam que o senador está “tranquilo” e vê na convocação uma oportunidade de reforçar sua postura institucional e afastar de si qualquer vinculação direta aos atos de 8 de janeiro ou a articulações antidemocráticas. Para o líder do Progressistas, é também um momento de reposicionamento político após o desgaste sofrido com os desdobramentos da eleição e das investigações.

A presença de Ciro neste processo pode selar sua imagem diante do STF e do país: testemunha da democracia ou fiador do silêncio?

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários