
A companhia aérea Azul anunciou, nesta quarta-feira (28), que entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, utilizando o mecanismo conhecido como Chapter 11, equivalente à recuperação judicial brasileira. Segundo a empresa, a medida não afetará suas operações diárias, incluindo voos, venda de passagens e o programa de fidelidade, que seguirão funcionando normalmente.
O objetivo da Azul é reestruturar sua dívida e garantir sustentabilidade financeira após um período de forte pressão no setor aéreo. O processo prevê a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e já conta com um compromisso de financiamento de US$ 1,6 bilhão por parte de investidores. Além disso, ao final da reestruturação, a companhia espera captar até US$ 950 milhões em novos aportes, parte dos quais poderá ser convertida em ações.
A decisão ocorre após um agravamento da situação financeira da companhia, que acumulou uma dívida líquida de R$ 31,35 bilhões no primeiro trimestre de 2025 — um aumento de 50,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A crise foi agravada pela falta de aeronaves e motores, aumento na queima de caixa e dificuldades no mercado global de peças de aviação, afetando diretamente a operação e os resultados.
Como parte do plano de recuperação, a Azul também anunciou uma redução de 35% na frota prevista. A expectativa é operar com 170 aeronaves após o processo, contra as 201 anteriormente planejadas. A medida visa reduzir custos, otimizar contratos de leasing e minimizar a exposição cambial. Apesar de já ser aguardado pelo mercado, o anúncio provocou forte reação negativa: os ADRs da companhia caíram até 30% na bolsa de Nova York antes mesmo da abertura do pregão.
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