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Centro de Teresina sob Pressão — Série Especial: Insegurança ameaça comércio histórico da capital

Secretaria de Segurança e Polícia Militar prometem reforço e nova estrutura de vigilância. Imóveis abandonados e crise social alimentam a criminalidade na região

25/05/2025 às 11h18 Atualizada em 26/05/2025 às 08h59
Por: Wagner Albuquerque
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Policia Militar e GCM abordando homens durante madrugada no centro de Teresina - Foto: SSP-PI
Policia Militar e GCM abordando homens durante madrugada no centro de Teresina - Foto: SSP-PI

A crescente onda de arrombamentos e assaltos a lojas do Centro de Teresina tem tirado o sono de comerciantes e empresários da região. De dia, o movimento é intenso com consumidores circulando entre lojas e repartições públicas. Mas, à noite, o cenário muda completamente: ruas desertas, imóveis abandonados e usuários de drogas tornam o local vulnerável à ação de criminosos.

Em entrevista exclusiva ao Gazeta Hora1, o secretário municipal de Segurança Pública de Teresina, coronel Wagner Torres, reconheceu o problema e destacou que a Guarda Civil Municipal, embora tenha como principal atribuição a proteção do patrimônio público, tem atuado de forma colaborativa com a operação “SOS Centro”, iniciada ainda na pré-campanha municipal. “Desde que começamos as rondas mais intensas, houve uma redução nos casos. Mas precisamos ir além”, disse o secretário.

Entre os projetos para reforçar a segurança, estão a instalação de 150 câmeras de vigilância com recursos federais, o aumento do moto patrulhamento e a criação de um Centro de Controle Operacional exclusivo para o Centro da cidade. “É uma estrutura que vai permitir monitoramento em tempo real e atuação mais rápida das forças de segurança”, explica o coronel Torres.

Já o comandante do 1º BPM do Piauí, Tenente-Coronel Moreira Filho, responsável pelo policiamento da área central, aponta que o problema vai além da segurança ostensiva. “Muitos dos arrombamentos ocorrem em imóveis abandonados, que são usados como acesso para os criminosos. Já fizemos um levantamento junto ao Corpo de Bombeiros e organizamos um organograma desses imóveis”, afirmou.

Segundo o comandante, há dois perfis predominantes entre os invasores: moradores de rua em situação de abandono e dependentes químicos que têm família e residência, mas vivem nas ruas por conta do vício. “Levar um infrator para a delegacia nem sempre resulta em prisão. O delegado muitas vezes solta por falta de para onde encaminhar. É um problema social que exige uma força-tarefa envolvendo todos os atores da sociedade”, reforçou.

O comandante informou ainda que uma nova turma de policiais militares deve se formar entre agosto e setembro, e parte desse efetivo será direcionada para o reforço do policiamento na área central. “Continuamos fazendo operações, muitos ‘lanceiros’ já foram presos, e temos observado uma redução gradual nos índices. Mas o grande desafio são as madrugadas, quando a maioria das invasões ocorrem”, completou.

Invasão flagrada com exclusividade

A equipe do Gazeta Hora1 teve acesso, com exclusividade, a imagens de mais uma loja do Centro sendo invadida durante a madrugada. O criminoso entraram pelo telhado, utilizando um prédio vizinho abandonado como rota de acesso. Confira:

Soluções exigem união de esforços

O combate à criminalidade no Centro de Teresina exige ações integradas entre o poder público municipal, estadual e federal. Além do reforço policial, é fundamental o envolvimento de parlamentares na criação de leis mais claras, simples e firmes, que facilitem a atuação das autoridades. A assistência social também tem papel crucial, oferecendo alternativas reais para pessoas em situação de vulnerabilidade, sobretudo dependentes químicos e moradores de rua. É preciso uma força-tarefa permanente e alinhada, com todos os órgãos de governo atuando juntos para enfrentar um problema complexo que afeta diretamente a segurança, o comércio e a qualidade de vida da capital.

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