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Justiça “Anjo da Morte”

Membro do Comando Vermelho condenado a 16 anos por tentativa de homicídio contra filho de desembargador no Piauí

Francisco “Anjo da Morte” da Silva Cruz atirou no advogado André de Almeida Sousa após discussão em bar de Parnaíba, deixando-o cego de um olho; júri reconheceu homicídio qualificado por perigo comum e emprego de meio que dificultou defesa

24/05/2025 às 07h07
Por: Douglas Ferreira
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Francisco Jefferson, o “Anjo da Morte” - Foto: Reprodução
Francisco Jefferson, o “Anjo da Morte” - Foto: Reprodução

Na sexta-feira (23), o Tribunal do Júri de Parnaíba condenou a Francisco Jefferson da Silva Cruz, vulgo “Anjo da Morte”, a 16 anos de reclusão por tentativa de homicídio qualificado contra o advogado André de Almeida Sousa, filho do desembargador Hilo de Almeida Sousa, do Tribunal de Justiça do Piauí.

O crime bárbaro em um bar de Parnaíba

Em 22 de março de 2023, no bar Gela Guela, André e “Anjo da Morte” cruzaram caminhos após um desentendimento aparentemente banal: o advogado, ao encontrar o banheiro ocupado, urinou atrás de uma planta. O gesto irritou Francisco Jefferson, que discutiu inicialmente com as acompanhantes e, em seguida, partiu para a agressão.

Em meio à briga corporal, o acusado sacou uma arma de fogo e disparou à queima-roupa no rosto de André, que perdeu o olho esquerdo e chegou ao Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) em estado gravíssimo. Transferido para Teresina André foi subtido a cirurgias e passou um longo período hospitalizado até se recuperar.

Do júri à condenação: tentiva de homicídio qualificado

Presidido pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal, o júri concluiu que houve tentativa de homicídio qualificado - ainda que frustrada - por:

  • Perigo comum: o tiro em local público expôs todas as pessoas do bar a risco de morte.

  • Meio que dificultou a defesa: disparo surpreso, sem chance de reação ou esquiva.

Após ouvir testemunhas, perícias e a defesa, os jurados impuseram a pena de 16 anos de reclusão, reduzida em relação ao mínimo legal devido aos atenuantes reconhecidos, mas firme em seu caráter punitivo.

Desembargador Hilo Almeira e o filho advogado André de Almeida Sousa - Foto: Reprodução

A trajetória do réu e o Comando Vermelho

Francisco Jefferson, ligado à facção Comando Vermelho, já figurava em investigações por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Seu apelido, “Anjo da Morte”, reflete o histórico de violência associado à facção. A condenação deste crime reforça o combate às organizações criminosas que fomentam a violência fora e dentro dos presídios.

As consequências para a vítima

O advogado André de Almeida Sousa passou por séries de cirurgias para reconstrução facial e ocular. Além da perda da visão do olho esquerdo, ele enfrenta sequelas psicológicas e limitações funcionais, o que pode gerar pedidos futuros de indenização por danos morais e materiais.

Repercussão e prevenção

O caso chocou a sociedade piauiense e reacendeu o debate sobre segurança em locais públicos e impunidade de membros de facções. A sociedade piauiense encontra-se hoje encurralada pela ação criminosa de inúmeras facções criminosas que agem nos quatro cantos do Piauí, desde a capital até os mais longíncuos municípios do Estado ditando regras e tocando o medo e o terror.

Conclusão
A condenação de “Anjo da Morte” a 16 anos de prisão demonstra a capacidade do sistema judiciário de punir crimes de extrema gravidade, mesmo quando cometidos por membros de facções organizadas. Para a vítima, representa um passo na busca por justiça; para a sociedade, um alerta de que violência e impunidade não serão toleradas.

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