
Na sessão desta quinta-feira (22), o ministro Flávio Dino revelou um episódio inquietante: uma carta anônima enviada pela Ouvidoria do STF com ofensas e até ordem explícita de violência física contra ele. O texto dizia:
“Um cara como você tem que apanhar de murro por cima da cara, arrancar dente por dente da tua boca. É na porrada. Bastam cem homens aí em Brasília, invadem o STF e expulsam”.
A Ouvidoria existe para ouvir críticas construtivas e receber denúncias de abusos, não para veicular criminosos chamados de “rocambole do inferno” nem articular invasões armadas. O autor, no anonimato, demonstrou:
Desprezo pela institucionalidade - confundir canal de atendimento com palanque para ódio.
Baixa tolerância ao contraditório - transformou a frustração política em incitação a agressão.
O Supremo é o órgão público com estrutura de segurança mais robusta do Brasil, com contingentes, câmeras e protocolos diários. Ainda assim, mensagens como essa mostram que o ódio se espalha com um clique, obrigando a Corte a refletir não apenas sobre reforços de blindagem, mas sobre seu próprio papel diante da sociedade.
A virulência da mensagem não surge no vácuo. Há uma insatisfação crescente com decisões do STF que muitos veem como políticas, não constitucionais. O tribunal deixou de ser percebido apenas como guardião da Carta Magna e tem se aproximado de um tribunal político, acusam críticos, “perseguindo adversários do governo”.
Tal desgaste obriga a Suprema Corte a se perguntar:
Quando nossas decisões parecem guiar-se por preferências ideológicas, e não pela lei?
Em que medida o STF se distanciou do cidadão que hoje acompanha cada julgamento?
Não se trata de sucumbir ao clamor popular - a independência judicial é essencial. Mas um equilíbrio é imperativo. A Constituição não escolhe lados políticos, e o STF, tampouco, deve parecer fazê-lo.
O pedido de reforço de segurança de Dino é inadiável. Mas, para além do colete à prova de balas, o STF precisa reacender sua ligação com o espírito da Constituição. Sem isso, nem o muro de concreto nem a vigilância armada serão suficientes para conter o ódio digital. O que realmente protegerá a Corte é a credibilidade de suas decisões, firmadas em Direito e não em conveniências políticas.
Conclusão:
A ameaça - embora criminosa e absolutamente inaceitável - deve ser também um sinal de alerta: o STF precisa retornar ao seu papel original de guardião da lei, não de palco de disputas partidárias. Só assim poderá retomar a confiança de quem o observa, passo a passo, à espera de um Judiciário verdadeiramente constitucional.
BANCO MASTER Ex-dono da Reag promete revelar fortuna oculta de Vorcaro
CONDENADO Justiça condena escrivão a 17 anos por esquema de venda de motos apreendidas
COMIDA CARA Governo Lula recorre ao TSE contra vídeos sobre preço dos alimentos e abre debate sobre liberdade de expressão
SEGURANÇA JURÍDICA A manobra de Moraes após derrota no STF abre novo capítulo no caso do 8 de Janeiro
OPERAÇÃO VÉRNIX MP aponta Deolane como peça central de núcleo financeiro investigado por ligação com o PCC
MARIA DA PENHA Advogada alerta para risco de perda de efetividade da Lei Maria da Penha após ampliação do STF
DURA LEX SED LEX? Em busca do diferente?
LIVRE EXPRESSÃO Justiça do RN manda Meta reativar perfis bloqueados por Moraes Crianças e internet Quando a tragédia chega antes da lei A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de determinar preventivamente que o Discord suspenda as transmissões ao vivo no Brasil expõe um problema muito maior do que uma plataforma. Mín. 24° Máx. 39°