
O pepino voltou - e maior. A tentativa do presidente da Câmara Municipal de Teresina, Enzo Samuel, de dividir responsabilidades com a Justiça Eleitoral sobre a convocação do suplente de Tatiana Medeiros não funcionou. O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) foi claro: a decisão é da Câmara. A consulta feita pelo Legislativo foi julgada improcedente, e agora não resta mais dúvida - o problema está de volta ao colo de Enzo.
Tatiana Medeiros, vereadora pelo PSB, foi presa pela Polícia Federal em 3 de abril e está afastada por 60 dias de suas funções parlamentares. A vaga segue tecnicamente aberta, e o suplente, Leônidas Júnior, já está de paletó e gravata - literalmente - aguardando sua convocação. Mas o que falta? Por que o presidente da Casa, que se apressou em buscar orientação jurídica fora, hesita em aplicar a própria regra da Casa?
O Regimento Interno da Câmara é relativamente claro: em casos de vaga, licença, investidura em cargo do Executivo ou afastamentos temporários, a convocação do suplente é prerrogativa do presidente. O que está em debate, porém, é se o afastamento judicial de Tatiana Medeiros se configura como “vaga” efetiva ou não.
No entanto, a questão central é: há ou não prejuízo à representação popular? Tatiana não está exercendo seu mandato. Logo, o povo que a elegeu - e que também escolheu seu suplente - está sem voz no plenário. Nesse sentido, o bom senso e o respeito ao processo democrático indicariam a convocação imediata de Leônidas Júnior. A dúvida jurídica, nesse contexto, parece mais uma muleta política do que uma lacuna legal.
O PSB já protocolou solicitação formal pela convocação do suplente, reforçando o que já é de conhecimento público: o partido quer sua cadeira ocupada. Leônidas não é um aventureiro. É o nome legalmente apto para assumir, e sua convocação seria apenas o cumprimento de um rito democrático.
Enquanto isso, Enzo Samuel se mantém num silêncio desconfortável. Nenhuma posição oficial foi emitida após a resposta do TRE. A Câmara também não anunciou qualquer sessão extraordinária ou encaminhamento sobre o tema. E isso é problemático. Afinal, decidir não decidir é também uma decisão - e das mais perigosas.
O afastamento de Tatiana Medeiros tem prazo: 2 de junho. Até lá, ou a Câmara convoca Leônidas Júnior, ou escolhe manter uma cadeira vazia num momento em que a cidade enfrenta desafios sérios - como desemprego crescente e criminalidade organizada. A sociedade teresinense tem direito à plenitude de sua representação parlamentar.
A dúvida que paira agora é: Enzo Samuel vai cumprir o papel que a Constituição, a Lei Orgânica e o Regimento lhe atribuem? Ou continuará empurrando a decisão até que o prazo de 60 dias expire, sem que a cadeira seja ocupada por quem tem direito?
Num país onde a judicialização da política virou regra, é raro ver o Judiciário jogando a bola de volta para o Legislativo. O TRE fez isso. Agora, a Câmara não pode mais se esconder atrás de pareceres.
A democracia exige coragem - e o presidente da Câmara precisa demonstrar a sua.
BANCO MASTER Ex-dono da Reag promete revelar fortuna oculta de Vorcaro
CONDENADO Justiça condena escrivão a 17 anos por esquema de venda de motos apreendidas
COMIDA CARA Governo Lula recorre ao TSE contra vídeos sobre preço dos alimentos e abre debate sobre liberdade de expressão
SEGURANÇA JURÍDICA A manobra de Moraes após derrota no STF abre novo capítulo no caso do 8 de Janeiro
OPERAÇÃO VÉRNIX MP aponta Deolane como peça central de núcleo financeiro investigado por ligação com o PCC
MARIA DA PENHA Advogada alerta para risco de perda de efetividade da Lei Maria da Penha após ampliação do STF
DURA LEX SED LEX? Em busca do diferente?
LIVRE EXPRESSÃO Justiça do RN manda Meta reativar perfis bloqueados por Moraes Crianças e internet Quando a tragédia chega antes da lei A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de determinar preventivamente que o Discord suspenda as transmissões ao vivo no Brasil expõe um problema muito maior do que uma plataforma. Mín. 24° Máx. 39°