
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou definitivamente o recurso da defesa do ex-capitão da Polícia Militar do Piauí, Allisson Wattson da Silva Nascimento, condenado a 22 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual, cometidos contra a estudante de Direito Camilla Abreu, em outubro de 2017, em Teresina.
A decisão foi proferida no dia 7 de abril de 2025 pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, e transitou em julgado em 6 de maio, encerrando as possibilidades de recurso na instância superior.
A defesa do ex-capitão pediu a anulação da condenação, a realização de novo julgamento ou a redução da pena, alegando que a decisão do Tribunal do Júri contrariava as provas do processo. Também questionou a dosimetria da pena, especialmente a valoração negativa da conduta social do réu e das circunstâncias do crime, e pediu ainda a redução da pena de multa, argumentando que ela era incompatível com a situação econômica do réu.
No entanto, o STJ não conheceu o recurso - ou seja, não analisou o mérito da apelação - por razões formais e processuais. Segundo o ministro Herman Benjamin, a defesa não enfrentou todos os fundamentos da decisão anterior que já havia rejeitado o recurso especial. A jurisprudência da Corte exige que todos os pontos da decisão recorrida sejam especificamente impugnados, o que não foi feito.
Allisson Wattson foi condenado por três crimes:
Feminicídio: assassinato de Camilla Abreu por motivo torpe e em contexto de relacionamento abusivo.
Ocultação de cadáver: ele escondeu o corpo da vítima numa área de mata coberto por galhos.
Fraude processual: tentou atrapalhar as investigações simulando desconhecimento do crime e destruindo provas.
Camilla desapareceu no dia 25 de outubro de 2017, após ser vista com o então namorado em um bar da zona leste de Teresina. O corpo da jovem foi localizado seis dias depois, após Allisson confessar o assassinato e indicar o local.
Em setembro de 2021, Allisson foi condenado pelo Júri a 17 anos, 7 meses e 21 dias de reclusão, mais 4 meses e 20 dias de detenção, totalizando pouco mais de 18 anos de prisão. A sentença foi assinada pela juíza Rita de Cássia da Silva.
No entanto, o Ministério Público do Piauí recorreu da pena, pedindo seu aumento com base na gravidade dos fatos e no comportamento premeditado do réu. A 1ª Câmara Especializada Criminal do TJ-PI acolheu parcialmente o pedido e aumentou a pena para 22 anos de prisão em regime fechado, destacando:
O comportamento violento e controlador de Allisson antes do crime;
A premeditação do assassinato;
A tentativa de enganar autoridades e ocultar o corpo da vítima.
Sim. Allisson Wattson foi excluído da Polícia Militar do Piauí após a sua condenação. Como oficial da corporação, a condenação por crime doloso com pena superior a dois anos leva à perda automática da função pública, conforme o Estatuto dos Militares Estaduais.
Allisson foi preso preventivamente em 31 de outubro de 2017 e, até maio de 2025, já cumpriu cerca de 7 anos de prisão. Considerando os 22 anos de pena total e eventuais benefícios legais (como remição por trabalho e estudo), ele ainda deve permanecer mais de uma década em regime fechado.
Com o trânsito em julgado da decisão no STJ, o processo judicial contra Allisson Wattson está encerrado. Contudo, o caso Camilla Abreu permanece como um dos mais emblemáticos crimes de feminicídio no Piauí, mobilizando a opinião pública e organizações de defesa dos direitos das mulheres desde 2017.
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