
O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, em Montevidéu. A informação foi confirmada pelo atual presidente do país, Yamandú Orsi, que lamentou a perda nas redes sociais: “Com profunda dor comunicamos que faleceu nosso companheiro Pepe Mujica. Presidente, militante, referência e líder. Vamos sentir muito a sua falta, velho querido.” Mujica havia sido diagnosticado com câncer de esôfago em abril de 2024 e, com a progressão da doença para o fígado, decidiu interromper o tratamento.
Mesmo debilitado, Mujica manteve-se presente na vida política uruguaia, apoiando ativamente a campanha de Orsi, eleito em 2024 pelo partido de esquerda Frente Ampla. Embora estivesse oficialmente afastado da política desde 2020, sua figura seguia como uma das mais influentes do campo progressista no país e na América Latina.
Nascido em 1935, Mujica teve uma trajetória marcada pela luta armada e pela resistência à ditadura. Atuou no grupo guerrilheiro Tupamaros nos anos 1960 e 1970, foi preso, sofreu torturas e passou 13 anos encarcerado. Com a redemocratização do país em 1985, fundou o Movimento de Participação Popular (MPP) e iniciou sua carreira política, destacando-se por seu estilo de vida simples e sua retórica popular. Foi eleito presidente do Uruguai em 2009, governando de 2010 a 2015.
Durante seu mandato, sancionou leis de grande repercussão, como a legalização da maconha, do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apesar de enfrentar crises, como o escândalo envolvendo a companhia aérea Pluna, Mujica deixou o governo com ampla aprovação popular. Sua imagem de líder humilde e defensor da paz o projetou internacionalmente, tornando-o símbolo de uma esquerda ética e alternativa. Seu desejo era ser sepultado na chácara onde viveu por décadas com a esposa, Lucía Topolansky, em Rincón del Cerro, nos arredores de Montevidéu.
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