
O governador Rafael Fonteles anunciou neste domingo (11), por meio das redes sociais, que desembarcou em Pequim como parte da comitiva oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais uma vez, a justificativa é a busca por investimentos estrangeiros para o Piauí. Mas a pergunta que ecoa entre analistas e cidadãos é: quais investimentos? Em que áreas? Que projetos o governador levou na bagagem?
Fonteles não explicou com clareza se houve contato prévio com empresas chinesas ou se a viagem é mais uma tentativa genérica de “vender” o Estado ao mercado asiático. Em outubro do ano passado, ele já havia liderado uma missão com 80 empresários piauienses à China. Desde então, poucos ou quase nenhum resultado concreto foi apresentado. O que o escritório do Piauí na China, criado com grande expectativa, conseguiu de prático até agora? Os investidores chineses sequer sabem que o Estado nordestino possui uma representação fixa no país?
E a propósito, quanto custa manter esse escritório do Piauí no outro lado do mundo? Quanto já consumiu dos parcos recursos dos piauienses? O escritório do Piauí na China é liderado por Saulo Castelo Branco. Ele foi nomeado para liderar o escritório da Investe Piauí na China, que fica na cidade de Xiamen.
O Piauí tem pressa. Com indicadores sociais entre os mais baixos do país e uma população que sonha com oportunidades reais, a cobrança por ações efetivas é justa. O Estado ocupa uma extensa área territorial de mais de 251 mil km² e, mesmo assim, permanece à margem dos grandes fluxos de capital estrangeiro que há décadas chegam ao Brasil - especialmente ao Sul e Sudeste.
A esperança é que a atual viagem traga mais do que promessas e fotos oficiais. O governador mencionou a possibilidade de novos investimentos chineses na área de energia, mas sem especificar contratos assinados, valores envolvidos ou prazos de execução. Em ano pré-eleitoral, o tempo para promessas vagas já se esgota. A população quer (e precisa de) anúncios concretos - um protocolo de intenções real, um contrato assinado, um empreendimento em andamento.
Rafael Fonteles, na condição de presidente do Consórcio Nordeste, pode ter nas mãos a chance de virar esse jogo e colocar o Piauí no radar do capital estrangeiro. Mas para isso, precisa mais do que discursos: precisa mostrar resultados.
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