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Teresina, PI

Justiça INOMINÁVEL

Empresário condenado por estuprar o próprio filho está foragido há um ano

Robervani Lima Machado Ferro foi condenado a mais de 22 anos de prisão por abusar sexualmente do filho de 4 anos; crime chocou o Piauí e é considerado um dos mais abjetos pela sociedade e até dentro dos presídios

06/05/2025 às 09h06 Atualizada em 06/05/2025 às 22h34
Por: Douglas Ferreira
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Robervani Lima recorreu da condenação e empreendeu fuga. Está foragido há cerca de um ano - Foto: Reprodução
Robervani Lima recorreu da condenação e empreendeu fuga. Está foragido há cerca de um ano - Foto: Reprodução

Nada causa mais repulsa e indignação social do que crimes de pedofilia - especialmente quando envolvem bebês e crianças pequenas, indefesas e vulneráveis. E quando o agressor é o próprio pai, o crime torna-se ainda mais abjeto, inominável, repudiado até nos códigos morais dos presídios brasileiros.

Desde os tempos mais remotos da civilização, o estupro sempre foi visto como um dos crimes mais repulsivos. Mesmo entre os povos mais primitivos, a violência sexual contra alguém indefeso era motivo de punição exemplar. Em algumas culturas antigas, como na Babilônia e entre os hebreus, esse tipo de agressão era tratado com a severidade do Código de Hamurabi: “olho por olho, dente por dente”. Ao longo da história, a humanidade manteve a percepção de que esse tipo de violência atenta contra o mais básico direito humano - o direito à integridade e dignidade corporal.

No Brasil, dentro do próprio sistema carcerário, onde impera uma ética distorcida e brutal, a pedofilia ocupa o mais baixo degrau na escala criminal. Presos por estupro de vulneráveis, especialmente crianças e bebês, são tratados com desprezo e, frequentemente, sofrem retaliações físicas e psicológicas severas. O agressor, nesses casos, quase sempre "paga na mesma moeda", como parte de uma justiça paralela e perversa aplicada pelos próprios detentos.

O caso Robervani

É dentro desse contexto que o caso de Robervani Lima Machado Ferro choca ainda mais. Empresário conhecido em Teresina e ex-proprietário da pizzaria Ice Cream, ele foi condenado por estuprar o próprio filho, que à época do crime tinha apenas quatro anos de idade.

Em 25 de fevereiro de 2024, foi expedido o mandado de prisão contra Robervani, após sua condenação de 22 anos, dois meses e seis dias de reclusão em regime fechado ter transitado em julgado, ou seja, quando não cabia mais recurso. No entanto, desde então, o empresário está foragido da Justiça há mais de um ano.

Relembre os detalhes

O caso veio à tona em 2015, quando a mãe da criança percebeu mudanças no comportamento do filho e passou a suspeitar de abusos. Sem saber quem era o agressor, ela se afastou de familiares e buscou apoio justamente em Robervani, seu ex-marido. Ele, por sua vez, reagiu com hostilidade e a chamou de "louca".

Com o tempo, a criança começou a apresentar sintomas graves: comportamento agressivo, crises de pânico, taquicardia e sinais físicos de violência sexual. Relatórios periciais confirmaram lesões sérias na região perianal. Psicólogos, babás, fisioterapeutas e professores relataram comportamento hipersexualizado, reforçando os indícios de abuso.

Durante a investigação, o envolvimento do pai foi evidenciado, e a mãe, temendo pela segurança da criança, mudou-se para outro estado com o filho. Desde então, a família vive sob constante vigilância e longe da cidade onde tudo aconteceu.

Condenação e recursos negados

Em 27 de junho de 2018, Robervani foi condenado em primeira instância pelo juiz Raimundo Holland Moura de Queiroz, da 6ª Vara Criminal de Teresina. Posteriormente, o Ministério Público entrou com recurso solicitando agravamento da pena com base nas consequências do crime — pedido que foi acolhido pela 2ª Câmara Especializada Criminal do TJ-PI.

A defesa tentou sucessivos recursos nos tribunais superiores. Embargos de declaração foram rejeitados pelo STJ por falta de requisitos legais, e o STF também negou o recurso extraordinário, encerrando as possibilidades de apelação.

O processo então retornou à 5ª Vara Criminal de Teresina, onde o juiz Thiago Carvalho Martins determinou a prisão imediata do réu. No entanto, Robervani Lima já havia desaparecido.

Ajude a Justiça

A Polícia Civil do Piauí mantém a busca ativa e solicita a colaboração da população. Qualquer informação sobre o paradeiro do foragido pode ser enviada de forma anônima pelo telefone: (86) 9 9991 0455.

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