
Nada causa mais repulsa e indignação social do que crimes de pedofilia - especialmente quando envolvem bebês e crianças pequenas, indefesas e vulneráveis. E quando o agressor é o próprio pai, o crime torna-se ainda mais abjeto, inominável, repudiado até nos códigos morais dos presídios brasileiros.
Desde os tempos mais remotos da civilização, o estupro sempre foi visto como um dos crimes mais repulsivos. Mesmo entre os povos mais primitivos, a violência sexual contra alguém indefeso era motivo de punição exemplar. Em algumas culturas antigas, como na Babilônia e entre os hebreus, esse tipo de agressão era tratado com a severidade do Código de Hamurabi: “olho por olho, dente por dente”. Ao longo da história, a humanidade manteve a percepção de que esse tipo de violência atenta contra o mais básico direito humano - o direito à integridade e dignidade corporal.
No Brasil, dentro do próprio sistema carcerário, onde impera uma ética distorcida e brutal, a pedofilia ocupa o mais baixo degrau na escala criminal. Presos por estupro de vulneráveis, especialmente crianças e bebês, são tratados com desprezo e, frequentemente, sofrem retaliações físicas e psicológicas severas. O agressor, nesses casos, quase sempre "paga na mesma moeda", como parte de uma justiça paralela e perversa aplicada pelos próprios detentos.
É dentro desse contexto que o caso de Robervani Lima Machado Ferro choca ainda mais. Empresário conhecido em Teresina e ex-proprietário da pizzaria Ice Cream, ele foi condenado por estuprar o próprio filho, que à época do crime tinha apenas quatro anos de idade.
Em 25 de fevereiro de 2024, foi expedido o mandado de prisão contra Robervani, após sua condenação de 22 anos, dois meses e seis dias de reclusão em regime fechado ter transitado em julgado, ou seja, quando não cabia mais recurso. No entanto, desde então, o empresário está foragido da Justiça há mais de um ano.
O caso veio à tona em 2015, quando a mãe da criança percebeu mudanças no comportamento do filho e passou a suspeitar de abusos. Sem saber quem era o agressor, ela se afastou de familiares e buscou apoio justamente em Robervani, seu ex-marido. Ele, por sua vez, reagiu com hostilidade e a chamou de "louca".
Com o tempo, a criança começou a apresentar sintomas graves: comportamento agressivo, crises de pânico, taquicardia e sinais físicos de violência sexual. Relatórios periciais confirmaram lesões sérias na região perianal. Psicólogos, babás, fisioterapeutas e professores relataram comportamento hipersexualizado, reforçando os indícios de abuso.
Durante a investigação, o envolvimento do pai foi evidenciado, e a mãe, temendo pela segurança da criança, mudou-se para outro estado com o filho. Desde então, a família vive sob constante vigilância e longe da cidade onde tudo aconteceu.
Em 27 de junho de 2018, Robervani foi condenado em primeira instância pelo juiz Raimundo Holland Moura de Queiroz, da 6ª Vara Criminal de Teresina. Posteriormente, o Ministério Público entrou com recurso solicitando agravamento da pena com base nas consequências do crime — pedido que foi acolhido pela 2ª Câmara Especializada Criminal do TJ-PI.
A defesa tentou sucessivos recursos nos tribunais superiores. Embargos de declaração foram rejeitados pelo STJ por falta de requisitos legais, e o STF também negou o recurso extraordinário, encerrando as possibilidades de apelação.
O processo então retornou à 5ª Vara Criminal de Teresina, onde o juiz Thiago Carvalho Martins determinou a prisão imediata do réu. No entanto, Robervani Lima já havia desaparecido.
A Polícia Civil do Piauí mantém a busca ativa e solicita a colaboração da população. Qualquer informação sobre o paradeiro do foragido pode ser enviada de forma anônima pelo telefone: (86) 9 9991 0455.
MEDIDAS CAUTELARES Justiça revoga prisão de empresário acusado de tentativa de homicídio em Teresina; entenda os fundamentos da decisão
TETO CONSTITUCIONAL STF voltou atrás nos penduricalhos? Entenda o que realmente está sendo julgado
PRISÃO PREVENTIVA Saiba quem é o homem preso por vender vídeos de sexo e que teve a prisão mantida pela Justiça Mín. 23° Máx. 32°