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Justiça mantém Tatiana Medeiros presa e amplia investigação sobre facção e compra de votos

Mesmo com a defesa alegando abuso de prazo, juiz nega novo pedido de liberdade, cita gravidade do caso e autoriza mais 15 dias de inquérito sobre esquema milionário envolvendo ONG e facção criminosa

29/04/2025 às 18h33
Por: Douglas Ferreira
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Justiça decide pela permanência de Tatiana Medeiros na prisão - Foto: Reprodução
Justiça decide pela permanência de Tatiana Medeiros na prisão - Foto: Reprodução

A tentativa desesperada da defesa da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) de livrá-la da prisão sofreu mais uma derrota nesta semana. O juiz Luis Henrique de Moreira Rego, do Juízo das Garantias do Núcleo I da Justiça Eleitoral, negou um novo pedido de relaxamento da prisão e ainda prorrogou por 15 dias o inquérito que apura o envolvimento da parlamentar com organização criminosa, compra de votos e lavagem de dinheiro.

Presidente do inquérito conduzido pela Polícia Federal, o delegado Daniel Alves já indiciou Tatiana por seis crimes graves, entre eles organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e peculato por meio do esquema de "rachadinha". Além dela, foram indiciados o namorado, Alandilson Cardoso, preso em Minas Gerais, e o padrasto Stênio Santos — este último, apontado como operador do esquema que financiava a campanha da vereadora com dinheiro ilícito.

No pedido mais recente, os advogados de Tatiana insistiram na substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, alegando que ela não representa risco à ordem pública e que a manutenção da prisão configuraria excesso de prazo. A alegação, no entanto, foi rechaçada pelo juiz, que ressaltou a complexidade da investigação e a ausência de ilegalidades.

“Os prazos processuais não são encerrados em molduras herméticas (...), especialmente quando se trata de apuração de organização criminosa com atuação estruturada e ramificada", escreveu o magistrado. Para ele, o cenário exige “maior tolerância temporal” em nome da efetividade da Justiça.

Segundo a investigação, Tatiana utilizava a ONG Instituto Vamos Juntos como fachada para lavar dinheiro e operar a compra de votos, mediante pagamentos de R$ 100 via Pix. Em uma das diligências, a PF apreendeu documentos com listas de eleitores e um relatório intitulado "Votos Válidos", com registros minuciosos de pagamentos. Também foram recuperadas mensagens apagadas de aparelhos celulares da vereadora.

Um áudio do namorado de Tatiana, revelado pela PF, escancara a gravidade do caso: ele diz ter investido R$ 1 milhão na campanha da companheira e sugere que a facção criminosa financiadora teria hoje uma representante na Câmara Municipal. A Justiça determinou a suspensão das atividades da ONG ligada à parlamentar, que, até o momento, segue recolhida sem previsão de soltura.

Com o novo prazo, a PF terá mais 15 dias para concluir diligências e aprofundar os vínculos entre Tatiana, a facção criminosa e o suposto esquema de financiamento ilícito de campanha. A expectativa é que, ao final, o Ministério Público Eleitoral apresente denúncia formal à Justiça.

A cada nova decisão judicial, Tatiana Medeiros vê seu cerco se fechar. As tentativas da defesa vão se esvaziando, e o discurso político vai dando lugar a uma realidade de réu em processo penal por envolvimento direto com o crime organizado.

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