
Desde que chegou ao poder, a esquerda brasileira - e, mais especificamente, o Partido dos Trabalhadores - tem mantido uma relação visceral com esquemas de corrupção que assombram a República. Não como vítimas, mas como operadores, articuladores e, sobretudo, como continuadores de práticas espúrias que drenam o erário público. A lógica é simples e brutal: se o esquema funciona, por que desmontá-lo?
Foi assim com o Mensalão. Foi assim com o Petrolão. E agora, vemos novamente os tentáculos dessa máquina operando nos bastidores de episódios como o caso da BR Distribuidora, que envolveu diretamente o ex-presidente Fernando Collor de Mello - no contexto, diga-se, de governos petistas.
Narrativas revisionistas tentam vender a ideia de que os grandes escândalos de corrupção nasceram nos governos anteriores ao PT, especialmente sob Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Mesmo que certos vícios políticos realmente tenham raízes mais antigas, o que os governos petistas fizeram foi diferente: não apenas herdaram o aparato corrupto, mas o aperfeiçoaram, expandiram e o institucionalizaram em nível nunca antes visto.
O exemplo clássico é o caso do Mensalão, com o "valerioduto" de Marcos Valério irrigando dinheiro sujo para comprar votos no Congresso Nacional. Em vez de expurgar o sistema, o PT o transformou em prática de governo.
A retórica da honestidade extrema - imortalizada por Lula ao dizer que "não há no país uma viva alma mais honesta do que ele" - nunca se sustentou nos fatos. Quando a lama da Lava Jato cobriu a República, a defesa do ex-presidente não foi pautada em desmentir os crimes, mas em anular processos por questões processuais. Jamais se comprovou a suposta "inocência" cantada em verso e prosa.
O Supremo Tribunal Federal (STF) não declarou Lula inocente. Apenas considerou que Curitiba não era o foro competente para julgá-lo. Um detalhe técnico que a militância trata como absolvição plena, numa tentativa desesperada de rescrever a história.
A prisão do ex-presidente Fernando Collor por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, ligada ao controle da BR Distribuidora, trouxe à tona mais uma vez a hipocrisia crônica do discurso petista. Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, correu para tentar desvincular seu partido do escândalo, alegando que "não se pode comparar Lula a Collor".
Mas o senador Sergio Moro foi cirúrgico ao perguntar:
"Quem entregou a BR Distribuidora para Collor administrar? Em qual governo isso aconteceu?"
A resposta é simples e incômoda: foi durante os governos do PT. Mais especificamente, no período em que a própria Gleisi era chefe da Casa Civil (2011-2014), período de maior influência política sobre nomeações estratégicas.
Ou seja, o PT não apenas pactuou com figuras envolvidas em corrupção; deu-lhes poderes, cargos e espaço para operar.
Se há uma marca registrada no modo de operação petista é a incapacidade absoluta de admitir erros ou crimes. Quando confrontados, preferem jogar a culpa sobre terceiros, relativizar os fatos ou pintar qualquer investigação como "perseguição política".
É um movimento tão previsível quanto grotesco: a culpa é do PSDB, é do juiz, é da Polícia Federal, é da mídia, é do "imperialismo americano". Nunca é deles.
A corrupção endêmica não é apenas um problema financeiro - é um ataque brutal à democracia, à moralidade pública e à esperança da população brasileira. Quando partidos que se dizem "dos trabalhadores" mergulham no lamaçal, eles traem justamente aqueles que juraram defender.
A defesa cega da corrupção, travestida de discurso democrático, é a maior ameaça ao futuro ético e institucional do Brasil.
E enquanto a esquerda brasileira insistir em negar, relativizar ou justificar seus esquemas, será impossível reconstruir uma política verdadeiramente limpa e justa.
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