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Justiça EFEITO BORBOLETA

Lula definha nas pesquisas enquanto Bolsonaro cresce - e a ofensiva do STF só reforça essa inversão

A sanha persecutória contra conservadores, liderada por setores do Judiciário e chancelada pelo Palácio do Planalto, pode estar gerando o efeito contrário ao desejado: transformar Bolsonaro em mártir e Lula em fiador da repressão política

24/04/2025 às 13h50
Por: Douglas Ferreira
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Bolsonaro tem surfado na onda da perseguição que vem sofrendo e Michele também - Foto: Reprodução
Bolsonaro tem surfado na onda da perseguição que vem sofrendo e Michele também - Foto: Reprodução

Há 20 meses, a curva é clara e contínua: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem perdendo apoio popular enquanto Jair Bolsonaro, mesmo fora do cargo, avança nas intenções de voto. E esse crescimento não ocorre num vácuo político - ele é alimentado por uma perseguição judicial que, ao tentar eliminar Bolsonaro do cenário eleitoral, o fortalece entre eleitores inconformados e reforça sua imagem de vítima de um sistema judicial arbitrário.

A operação orquestrada por setores do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial pelo ministro Alexandre de Moraes, parece não ter mais freios. A justificativa para essa cruzada é o já desgastado discurso do "golpe de Estado", ancorado nos eventos de 8 de janeiro de 2023. Mas os fatos teimam em desmentir a narrativa: a famigerada minuta golpista, tida como prova central, sequer consta do processo e, segundo perícia, não passa de um rascunho sem valor jurídico - sem assinatura, sem execução, sem validade.

Ainda assim, milhares de brasileiros estão sendo julgados e condenados com base em convicções políticas e interpretações subjetivas, num processo que mais se assemelha a um tribunal de exceção do que a um julgamento técnico. O caso da cabeleireira Débora dos Santos, condenada por ter protestado em Brasília, é apenas um entre tantos exemplos de um sistema penal que tem sido manipulado para eliminar adversários ideológicos.

A última gota - e talvez o maior símbolo do abuso - foi a intimação de Jair Bolsonaro em leito de UTI, enquanto se recuperava de uma cirurgia em estado delicado. A medida, considerada desumana e politicamente estúpida, gerou repulsa não apenas entre seus aliados, mas também dentro do próprio Judiciário e entre observadores internacionais. A pergunta que se impõe é: até onde vai a sanha de Alexandre de Moraes?

A resposta das urnas começa a se formar

Enquanto o STF e o Planalto radicalizam na tentativa de desidratar a direita, os números vão dizendo o contrário. Segundo levantamento recente do Instituto Paraná Pesquisas, um dos mais precisos do país, Bolsonaro subiu de 38,5% em agosto de 2023 para 46% em abril de 2025. Lula, no mesmo intervalo, despencou de 48% para 40,4%.

A simbólica virada se consolidou em março de 2024, quando Bolsonaro ultrapassou Lula com 41,7% contra 41,6%. Desde então, o ex-presidente não parou de subir - e o petista, de cair.

O mesmo movimento se repete com Michelle Bolsonaro, cuja curva de intenção de voto saltou de 40,1% para 45% nos últimos 11 meses, enquanto Lula caiu mais uma vez. E Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, também mostra força eleitoral: passou de 36,6% para 43,4%, superando novamente Lula, que caiu para 40,6%.

O consórcio político-judicial e o efeito bumerangue

O que se vê é a formação de um consórcio informal entre o STF e o Palácio do Planalto, numa aliança que não apenas desfigura os pilares da democracia, mas também violenta o princípio da imparcialidade do Judiciário. Um consórcio que lembra - e muito - o Consórcio Nordeste, aquele que desperdiçou milhões de reais com respiradores que nunca chegaram a salvar vida alguma.

A pergunta que se impõe é brutal e inevitável: vale a pena "estuprar" a democracia para impedir Bolsonaro de concorrer? O resultado dessa cruzada judicial tem sido exatamente o oposto do pretendido: Bolsonaro cresce, Lula definha. E o sistema que se autoproclama guardião da democracia vai sendo percebido como seu maior algoz. Alterar o curso natural da história pode levar a um "efeito borboleta", com consequências imprevisíveis.

Se o objetivo é proteger a democracia, talvez o primeiro passo seja deixar que o povo decida. E isso, hoje, parece estar cada vez mais distante da realidade brasileira.

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