
A Polícia Federal se posicionou pela manutenção da prisão preventiva da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) e de seu companheiro, Alandilson Cardoso Passos, preso por tráfico de drogas numa penitenciária em Belo Horizonte, em Minas Gerais. O parecer foi enviado ao juiz Luís Henrique Moreira Rego, do 1º Juízo de Garantias do Núcleo I, que havia intimado o órgão para que informasse se ainda persistia o interesse nas medidas cautelares decretadas no âmbito da Operação Escudo Eleitoral II.
A operação, deflagrada no dia 3 de abril de 2025, investiga o uso de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, supostamente ligado à facção Bonde dos 40, para o financiamento de campanhas eleitorais. Tatiana Medeiros é suspeita de ter recebido recursos ilícitos para sua eleição à Câmara de Vereadores de Teresina, com participação direta de Alandilson Passos, seu namorado e, segundo a investigação, operador da ligação entre a política e o crime organizado.
O delegado Daniel Araújo Alves, responsável pela investigação, reiterou que os elementos já colhidos justificam a continuidade da prisão preventiva da vereadora e de Alandilson. Segundo ele, há risco concreto à ordem pública, à instrução processual e à eficácia da aplicação da lei penal, caso os investigados sejam soltos.
Além disso, o delegado solicitou a manutenção de todas as medidas cautelares já deferidas anteriormente pela Justiça Eleitoral. Isso inclui o afastamento da vereadora do exercício do mandato e o afastamento de assessores de confiança ligados a ela, que atuavam dentro da estrutura da Câmara Municipal de Teresina.
A vereadora segue presa em Sala de Estado-Maior, localizada no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Piauí (QCG-PI). Sua defesa tem argumentado pela revogação da prisão, mas o andamento das investigações e os relatórios policiais até aqui reforçam o entendimento da PF de que a liberdade de Tatiana colocaria em risco a lisura do processo.
A solicitação do juiz Luís Henrique Moreira Rego teve por objetivo revisar as medidas cautelares já decretadas, conforme determina o rito processual. Ao intimar a PF, o magistrado pediu informações atualizadas sobre a persistência do interesse nas medidas e questionou se as diligências em curso haviam sido concluídas, solicitando inclusive o relatório final, caso disponível.
A resposta da PF reafirma que as investigações ainda estão em andamento e que os riscos envolvidos justificam plenamente a manutenção das restrições impostas, sobretudo diante do teor das provas já colhidas.
Do ponto de vista jurídico, a permanência da prisão preventiva e das medidas de afastamento impede o retorno imediato de Tatiana Medeiros ao mandato. Mesmo que a prisão fosse revogada, o afastamento da função parlamentar segue em vigor enquanto durar a investigação ou até nova decisão judicial.
Politicamente, o caso fragiliza a posição da vereadora e levanta questionamentos sobre os critérios de financiamento eleitoral e a infiltração do crime organizado em estruturas do poder legislativo local. O escândalo também pressiona o PSB, partido de Tatiana, a se posicionar de forma mais clara sobre a conduta de sua filiada.
A Operação Escudo Eleitoral II já é considerada uma das investigações mais sensíveis em andamento no Estado, com potencial de atingir outros agentes públicos e revelar um esquema mais amplo de cooptação da política local por facções criminosas.
Com o parecer da PF, a tendência é que o juiz mantenha as medidas já decretadas. A expectativa agora gira em torno do relatório final das diligências e de possíveis novas fases da operação, que podem alcançar outras figuras políticas e ampliar os desdobramentos do caso.
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