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Papa Francisco morre aos 88 anos: o fim de uma era na Igreja Católica

Líder religioso dedicou sua vida à fé, à justiça social e à defesa dos mais vulneráveis

21/04/2025 às 06h45 Atualizada em 22/04/2025 às 09h34
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Vaticano anunciou na manhã desta segunda-feira (21), às 7h35 no horário de Roma e 2h35 da manhã, horário de Brasília, a morte de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, aos 88 anos. O comunicado oficial, feito pelo cardeal Kevin Farrell por meio do Telegram, informou que o pontífice “retornou à casa do Pai”. Francisco enfrentava complicações respiratórias e vinha se recuperando de uma pneumonia, que o deixou hospitalizado por 38 dias no início deste ano. Sua última aparição pública foi neste domingo de Páscoa, quando abençoou fiéis na Praça São Pedro.

Nascido em Buenos Aires, em 1936, filho de imigrantes italianos, Bergoglio teve uma trajetória marcada pela simplicidade e compromisso social. Formado em química, ingressou na Companhia de Jesus em 1958 e foi ordenado sacerdote em 1969. Tornou-se arcebispo da capital argentina em 1998 e cardeal em 2001, destacando-se por sua atuação junto às periferias e por um estilo de vida austero, que contrastava com os hábitos da alta cúpula da Igreja.

A eleição de Bergoglio como papa, em 13 de março de 2013, foi histórica: ele foi o primeiro pontífice jesuíta, o primeiro das Américas e o primeiro a adotar o nome Francisco, inspirado em São Francisco de Assis. Durante seu papado, promoveu reformas significativas na administração do Vaticano, combateu abusos sexuais dentro da Igreja e defendeu causas sociais, como o combate à pobreza, a preservação do meio ambiente e o diálogo entre religiões.

Francisco também teve um papel importante em questões diplomáticas, como o processo de reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, e tornou-se conhecido por suas declarações que geraram debates mundiais. Em relação à comunidade LGBT+, afirmou que “ser homossexual não é crime”, embora tenha mantido a posição da Igreja quanto aos atos homossexuais. Sobre o aborto, reafirmou a defesa da vida desde a concepção, criticando sua apresentação como um direito humano.

Apesar de negar alinhamento político, suas posições progressistas o aproximaram de líderes de esquerda, como Evo Morales e Luiz Inácio Lula da Silva. Encíclicas como Fratelli Tutti reforçaram sua crítica ao capitalismo e sua defesa por um modelo econômico mais humano. Sua postura, embora admirada por muitos, também gerou resistência entre setores mais conservadores da Igreja. Francisco deixa um legado de fé, coragem e compromisso com os marginalizados, marcando profundamente o século XXI na história do catolicismo.

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