
As recentes declarações do presidente Javier Milei sobre a possibilidade de retomar os impostos de exportação do setor agropecuário provocaram forte reação no campo argentino. Lideranças do agronegócio manifestaram surpresa, frustração e preocupação com o que classificam como uma “ameaça velada” à principal atividade econômica do país. Representantes de entidades rurais cobram previsibilidade e políticas de longo prazo para garantir segurança aos produtores.
“Não se sabe se é uma medida, uma proposta ou uma ameaça”, afirmou Patricio Kilmurray, da Confederação de Associações Rurais da Terceira Zona (Cartez). A presidente da Federação Agrária Argentina, Andrea Sarnari, reforçou que o produtor precisa de estabilidade para continuar semeando. “A venda acontece quando é necessário para pagar os custos, não por especulação”, disse. Para Sarnari, a redução temporária das retenções deve se tornar definitiva. Já Pablo Ginestet, da Carbap, criticou o tom das falas presidenciais, dizendo que “ameaçar com aumento de impostos não é uma boa política”.
Produtores de diferentes regiões também se manifestaram contra a postura do governo. Lucas Magnano, da Coninagro, disse estar surpreso com a possibilidade de reativação das retenções. Ariel Aldo Salera, de Córdoba, foi mais direto: “Vamos vender quando precisarmos, não quando o presidente quiser — e muito menos sob ameaça”. Em Buenos Aires, Dante Garciandía lamentou a falta de reconhecimento ao papel do campo na economia: “É uma pena que não vejam o campo como ele realmente é: um gerador de empregos e divisas, sem incomodar ninguém”.
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