
Desde a indicação de Sidônio Palmeira para o comando da Secretaria de Comunicação (Secom), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido reuniões quase diárias com sua equipe de marketing e comunicação. A intenção é clara: estancar a sangria de popularidade e tentar reverter a crescente insatisfação da população. No entanto, apesar dos esforços, a desaprovação ao governo continua subindo, levantando a questão: o problema é apenas de comunicação ou o governo simplesmente não tem o que comunicar?
Sidônio Palmeira, premiado publicitário responsável pela campanha eleitoral de Lula em 2022, assumiu a Secom sob a promessa de uma comunicação "perfeita" e mais eficaz. Para isso, aumentou a frequência das entrevistas de Lula, fez mudanças estratégicas na equipe e alinhou as assessorias de comunicação dos ministérios. Mesmo assim, a percepção negativa do governo segue em ascensão.
Os números são alarmantes: segundo pesquisa Ipsos-Ipec, 41% dos brasileiros classificam a gestão como ruim ou péssima, contra apenas 27% que a avaliam como ótima ou boa. O dado reflete um desgaste progressivo – em dezembro de 2024, a avaliação negativa era de 34%, enquanto a positiva era de 34%. O que explica essa queda vertiginosa? Até parece que o governo Lula 3 é um avião em pleno voo com problema de pane seca.
A política econômica tem sido um dos principais fatores para o descontentamento. A inflação ainda pesa no bolso do brasileiro, o preço dos alimentos continua subindo e os juros elevados limitam o crescimento. Além disso, a geração de empregos tem sido insuficiente para recuperar a economia de forma expressiva. O governo tenta reagir com medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 e a ampliação do crédito consignado, mas as ações não têm surtido o efeito esperado na opinião pública.
Outro fator que tem contribuído para a crise de imagem são as falas polêmicas de Lula. O presidente tem o costume de improvisar discursos, muitas vezes resultando em gafes e declarações desastrosas. Recentemente, ao comentar sobre a ministra Gleisi Hoffmann, Lula justificou sua nomeação dizendo que ela era uma "mulher bonita", gerando críticas por machismo. Antes disso, sugeriu que os brasileiros deixassem de comprar produtos caros como solução para conter a inflação – um comentário que pegou mal diante da alta dos preços.
Sidônio Palmeira já deixou claro que não pretende "puxar a orelha" do presidente por esses deslizes. No entanto, as gafes continuam minando a credibilidade do governo e criando ruídos na comunicação.
Outro ponto de desgaste tem sido a quantidade de viagens internacionais de Lula. Enquanto o presidente tenta se posicionar como líder global, visitando diversos países, a população vê pouco retorno prático dessas missões. A impressão que fica é de um governo mais preocupado com a diplomacia externa do que com os problemas internos.
Além disso, a primeira-dama, Janja da Silva, tem assumido um papel cada vez mais ativo no governo, o que gera discussões. Para alguns, ela é uma figura essencial na estratégia de Lula. Para outros, seu protagonismo excessivo e suas falas públicas acabam atrapalhando mais do que ajudando.
O tempo está contra o governo. As pesquisas mostram que 62% dos brasileiros não querem Lula concorrendo à reeleição em 2026. Se a tendência negativa continuar, a crise de imagem pode se tornar irreversível. Sidônio Palmeira tem um grande desafio pela frente: convencer a população de que o governo tem entregas concretas, algo que a comunicação, por melhor que seja, não pode criar do nada.
O governo Lula 3 ainda tem tempo para se recuperar? Ou a falta de resultados reais selará seu destino? O problema está na comunicação ou no conteúdo? Essas são as perguntas que seguem sem resposta – e que determinarão os rumos do país nos próximos anos.
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