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Justiça PRISÃO INJUSTA

O caso Eliene Amorim e as condenações do STF pelo 8 de Janeiro

Prisões, narrativas e a realidade da justiça brasileira

30/03/2025 às 12h54 Atualizada em 30/03/2025 às 13h41
Por: Douglas Ferreira
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Eliene Amorem de Jesus completou dois anos presa em Pedrinhas, mas tempo que o presidente Lula permaneceu no xadrez da PF que foi apenas 580 dias - Foto: Reprodução
Eliene Amorem de Jesus completou dois anos presa em Pedrinhas, mas tempo que o presidente Lula permaneceu no xadrez da PF que foi apenas 580 dias - Foto: Reprodução

Até agora, o STF condenou 503 pessoas pelo vandalismo promovido em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, que parte da mídia e do próprio tribunal classifica como atos golpistas. Desse total, apenas oito foram absolvidos. Na semana passada, a Primeira Turma da Corte decidiu, por unanimidade, tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Walter Braga Netto e outros seis integrantes do governo passado réus por envolvimento em uma suposta trama golpista que, segundo a acusação, teria resultado no 8 de Janeiro.

‘Velhinhas com Bíblia’

O perfil dos condenados foi alvo de discussão durante o julgamento, quando o relator dos casos, ministro Alexandre de Moraes, apresentou imagens em vídeo do vandalismo na Praça dos Três Poderes para rebater argumentos usados pelo ex-presidente e aliados de que os acusados de golpe seriam “velhinhas carregando Bíblias”. Entre os dados exibidos no telão do plenário estava a informação de que 91% dos condenados tinham menos de 59 anos.

"Vou desfazer uma narrativa totalmente inverídica de que o STF estaria condenando “velhinhas com a Bíblia na mão” que estariam “passeando pelo STF, pelo Congresso. Nada mais mentiroso do que isso", afirmou Moraes. O ministro ainda ressaltou que apenas 43 pessoas eram idosas.

Sim, ministro. Ainda que fosse apenas uma idosa e se enquadrasse no perfil de “velhinha com Bíblia na mão”, já seria um absurdo jurídico sem precedentes. Quantos, além dos 43 idosos, ainda estão presos e certamente serão condenados a penas igualmente desproporcionais? Aliás, a dosimetria da pena tem sido questionada inclusive pelo ministro Luiz Fux. Mas deixemos as velhinhas de lado e falemos dos jovens. Jovens como o morador de rua ou o vendedor de algodão-doce. Jovens como a manicure e estudante de psicologia maranhense Eliene Amorim de Jesus.

A prisão de Eliene Amorim de Jesus

Eliene Amorim foi presa em março de 2023 e jogada numa cela na Penitenciária de Pedrinhas, na grande São Luís, onde permaneceu esquecida. Acusada de tentativa de golpe de Estado, a estudante pagava seu curso de psicologia trabalhando como manicure, pois sua família, residente no povoado de Torozinho, no interior do município de Turiaçu, é extremamente pobre. Aos 15 anos, Eliene deixou sua terra natal com o sonho de mudar de vida e ser a primeira da família a obter um diploma universitário.

Mas, afinal, quem é Eliene Amorim de Jesus? O que fazia até ser presa? Como vivia? Como conseguia pagar os estudos? Como ela se envolveu nos atos de 8 de janeiro? Como foi parar em Brasília? Como e por que foi presa dois meses depois, em São Luís? O que ela alega em sua defesa? Como está hoje, física e psicologicamente? Quem a defende? Ela tem advogado?

A Verdadeira História de Eliene

A estudante Eliene Amorim esteve sim na frente do quartel em São Luís e também nos protestos de 8 de janeiro em Brasília. No entanto, como pode ser constatado em seu telefone, levado pela polícia, seus registros fotográficos e sua presença nos eventos evidenciam que seu único propósito era a redação de um livro sobre o tema e o perfil dos manifestantes. Tanto que Eliene portava apenas um celular, um caderno e uma caneta.

Apesar dessa realidade, foi detida em sua kitnet no bairro Angelim, em São Luís, sem relação direta com a organização dos movimentos e sem provas de envolvimento em atos de depredação. Tudo indica que sua prisão se deu por ter publicado um stories no qual comentava a experiência de escrever sobre o ocorrido. "Este vídeo é em memória da minha mãe",  escreveu Eliene em uma de suas últimas mensagens públicas. 

O Destino de Eliene Amorim

Eliene Amorim de Jesus segue presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, acusada de integrar um golpe de Estado contra o Brasil. Seu caso é um dos muitos que revelam a complexidade e os excessos das decisões judiciais pós-8 de janeiro. A história dessa jovem maranhense expõe as fragilidades de um sistema que, sob a justificativa de proteger a democracia, pode estar minando direitos e garantias fundamentais.

Se há justiça, que ela prevaleça para todos. Até porque a justiça que não é justa, jamais poderá ser chamada de justiça.

O caso de Eliene Amorim foi denunciado pelo jornalista José Linhares Jr e seu perfil no Instagram ganhou o mundo. A partir da inciativa dele o caso foi retratado pela grande mídia e também chegou ao nosso conhecimento. Confira o vídeo:

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