
A Justiça do Piauí deu um passo decisivo para levar a julgamento um dos crimes mais macabros já registrados no estado. O juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal de Parnaíba, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Piauí contra Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa. O casal é acusado de assassinar oito pessoas, incluindo crianças e adultos da própria família, além de uma amiga, por meio de envenenamento com o pesticida "terbufós", conhecido popularmente como "chumbinho". Além dos homicídios qualificados, os dois respondem por três tentativas de homicídio qualificado.
Os crimes ocorreram em três momentos distintos: 22 de agosto de 2024, 1º de janeiro e 22 de janeiro de 2025. As investigações apontam que o casal agiu de forma meticulosa e premeditada, envenenando as vítimas de maneira sorrateira para simular causas naturais. Inicialmente, tentaram culpar uma vizinha, Lucélia Maria da Conceição, levando-a à prisão injustamente. No entanto, novas mortes na família despertaram suspeitas, levando as autoridades a investigarem mais a fundo o envolvimento direto de Maria dos Aflitos e Francisco de Assis nos assassinatos.
As vítimas fatais incluem crianças e adultos, com idades entre 3 e 41 anos. Os primeiros óbitos ocorreram em agosto e novembro de 2024, com a morte dos pequenos João Miguel Silva (7 anos) e Ulisses Gabriel Silva (8 anos), que passaram mal após ingerirem alimentos contaminados. Na virada do ano, em 1º de janeiro de 2025, a tragédia se repetiu em maior escala: um almoço de "baião de dois" preparado na casa da família resultou na morte de mais cinco pessoas, incluindo a mãe de João Miguel e Ulisses, Francisca Maria da Silva (32 anos), além das crianças Igno Davi (1 ano e 8 meses), Maria Lauane (3 anos) e Maria Gabriela (4 anos).
A última vítima foi Maria Jocilene da Silva, vizinha e amiga da família, que morreu após tomar um café na casa de Maria dos Aflitos, no dia 22 de janeiro de 2025. O laudo pericial confirmou que o veneno utilizado foi o mesmo dos outros crimes. Durante as investigações, Maria dos Aflitos confessou que matou Jocilene para tentar desviar as atenções do verdadeiro culpado: seu companheiro, Francisco de Assis.
Com a aceitação da denúncia, o casal será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri de Parnaíba. A Justiça deve decidir se os dois serão julgados juntos ou separadamente, mas ambos respondem por múltiplos homicídios qualificados e tentativas de homicídio. Além disso, Francisco de Assis enfrenta acusações adicionais, como fraude processual e feminicídio com agravantes.
Caso condenados, Maria dos Aflitos e Francisco de Assis poderão pegar penas que podem ultrapassar 200 anos de prisão, uma vez que cada homicídio qualificado prevê reclusão de até 30 anos. A decisão judicial de levá-los ao banco dos réus representa um marco na busca por justiça para as vítimas dessa terrível tragédia. O caso chocou não apenas o Piauí, mas todo o Brasil, pela crueldade e premeditação dos assassinatos.
Agora, com a denúncia aceita e os réus devidamente citados, a defesa terá um prazo legal para apresentar sua resposta, enquanto o Ministério Público seguirá com a acusação. A expectativa é que o julgamento ocorra nos próximos meses, colocando um ponto final na impunidade desse crime brutal que destruiu famílias inteiras.
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