
Aos 101 anos, faleceu a uruguaia Mirta Vanni de Barbot, considerada a primeira mulher piloto agrícola do mundo. Seu corpo foi sepultado no domingo (23/3), em Montevidéu. Mirta iniciou sua carreira na aviação agrícola em 1946, combatendo pragas de gafanhotos a serviço do Ministério da Agricultura e Pesca do Uruguai. No Brasil, entidades como o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) manifestaram pesar pelo falecimento da pioneira.
Mirta começou a voar em um período crítico para a agricultura no sul da América do Sul, quando enxames de gafanhotos ameaçavam plantações. Seu trabalho foi essencial para o desenvolvimento da aviação agrícola, inclusive no Brasil, onde conheceu Ada Rogato, a primeira piloto agrícola brasileira. Por sua atuação no combate aos insetos nos anos 1940, Mirta ficou conhecida como “la última langostera”, em referência aos pilotos especializados na caça de gafanhotos.
Desde cedo, Mirta teve paixão pela aviação, inspirada por visitas frequentes ao campo em sua cidade natal, Carmelo. Aos 16 anos, conseguiu uma bolsa para piloto amador destinada a enfermeiras e, em 1943, tornou-se a primeira mulher piloto profissional do Uruguai. Formada também como mecânica aeronáutica, assumiu posteriormente o cargo de diretora dos Serviços Aeronáuticos do Ministério da Agricultura, viajando para os Estados Unidos e Nova Zelândia para buscar novas técnicas aeroagrícolas.
Sua trajetória foi marcada por feitos impressionantes. Além de cruzar a Cordilheira dos Andes sem GPS para buscar aeronaves nos Estados Unidos, também visitou a fábrica da Embraer em São Paulo para liderar o transporte de aviões Ipanema adquiridos pelo governo uruguaio. Mesmo depois de décadas de atuação na aviação, Mirta manteve sua ligação com os céus. Em seu aniversário de 71 anos, tornou-se a primeira mulher uruguaia a voar em um caça FAU-283 Dragonfly, e, aos 80 anos, celebrou sua história com um salto de paraquedas.
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