
As negociações entre Ucrânia e Estados Unidos, realizadas em Riad, na Arábia Saudita, foram concluídas neste domingo (23) com um avanço considerado significativo por ambas as partes. O ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, descreveu o encontro como “produtivo e focado”, destacando que os diálogos abordaram temas cruciais, como segurança energética e o fortalecimento do apoio militar e diplomático à Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou que o objetivo central das tratativas é garantir uma “paz justa e duradoura” para a Ucrânia e a Europa. Em um comunicado, ele destacou que a delegação de Kiev manteve uma postura “construtiva” e que as discussões prosseguiram por horas.
Até o momento, a principal garantia obtida envolve a possível redução dos ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana, ao menos temporariamente. Segundo fontes americanas, a Rússia aceitou interromper bombardeios a instalações estratégicas por 30 dias.
Além disso, diplomatas americanos reforçaram o compromisso dos EUA em manter o apoio militar e econômico à Ucrânia, apesar dos desafios internos enfrentados pelo governo Biden para aprovar novos pacotes de ajuda no Congresso.
Embora a suspensão temporária dos ataques a alvos energéticos tenha sido acordada nos bastidores, um cessar-fogo total ainda está longe de se tornar realidade. A Ucrânia pressiona por um compromisso mais amplo, enquanto a Rússia mantém sua ofensiva em outras frentes do conflito.
Zelensky insiste que Moscou só cessará as hostilidades se for pressionada internacionalmente. “Quem provocou esta guerra deve ser responsável por encerrá-la”, declarou o presidente ucraniano.
Enquanto os EUA continuam fornecendo apoio estratégico à Ucrânia, as negociações sugerem que a Rússia pode estar disposta a retomar o Acordo de Grãos do Mar Negro, essencial para a economia ucraniana e a estabilidade global da segurança alimentar.
O Kremlin, que se reunirá com representantes americanos nesta segunda-feira (24), afirmou estar aberto a discutir os “detalhes técnicos” da retomada do acordo. No entanto, a Rússia deve buscar concessões ocidentais, como a flexibilização de sanções, para voltar a permitir a exportação de grãos ucranianos pelo Mar Negro.
A retomada da Iniciativa de Grãos do Mar Negro seria um marco importante para a diplomacia internacional e um pequeno avanço na busca por uma solução para o conflito.
A delegação russa, liderada por Grigory Karasin, já sinalizou que há interesse em negociações, mas as condições impostas por Moscou ainda são incertas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que “há muitos detalhes a serem resolvidos” antes que qualquer anúncio definitivo seja feito.
Em meio a essas movimentações, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também entrou no jogo diplomático. Ele afirmou que os esforços para evitar a escalada da guerra estão “relativamente sob controle” e revelou que conversou separadamente com Zelensky e Putin na tentativa de intermediar um cessar-fogo de 30 dias.
Embora um acordo formal não tenha sido alcançado, a suspensão temporária dos ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana pode ser um reflexo dessa mediação.
As conversas em Riad demonstram que há espaço para negociações, mas a guerra ainda está longe do fim. A Ucrânia exige um compromisso maior da Rússia, enquanto Moscou parece querer usar a diplomacia como ferramenta para barganhar concessões econômicas.
A chave para qualquer avanço concreto será o equilíbrio entre pressão internacional e incentivos para que Putin ceda. Até lá, a paz na Ucrânia continua sendo um objetivo distante, mas as negociações mostram que, pela primeira vez em meses, há alguma luz no fim do túnel.
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