
Narco-estado à vista?
Você já viu uma tonelada de maconha skunk prensada? Imagina o volume disso. Agora imagine a polícia conseguir apreender essa quantidade absurda de droga e ainda prender o traficante junto. Pois é, isso aconteceu na semana passada, no Amazonas.
E o que acontece com alguém flagrado com essa montanha de entorpecentes? Vai mofar na cadeia, certo? Errado. No Brasil, não. No Amazonas, menos ainda.
O colombiano Juan Carlos Urriola, preso com 1,3 tonelada de drogas em Santa Isabel do Rio Negro, passou menos tempo na cadeia do que um folião em um bloco de Carnaval. Solto na sexta-feira (28), após audiência de custódia em Manaus, ele agora desfila livremente por aí, talvez até aproveitando a folia.
Na terça-feira (25), a polícia desencadeou a Operação Fronteira Mais Segura, no Pico da Neblina. O resultado? Uma mega apreensão de skunk, avaliada em R$ 20 milhões. A droga estava enterrada em uma área de mata, sob os cuidados do colombiano, que foi detido em flagrante.
Mas eis que surge o juiz Túlio de Oliveira Dorinho e, em sua decisão, determina a soltura do suspeito com medidas cautelares. Agora, em vez de uma cela, Urriola desfilará com tornozeleira eletrônica e precisará comparecer semanalmente à Justiça durante um ano. Além disso, não pode sair de Manaus sem autorização. Grande coisa.
Afinal, por que um traficante que guardava R$ 20 milhões em drogas foi solto tão rapidamente? Qual foi a fundamentação do juiz? Ele decidiu de forma independente ou houve algum tipo de pressão?
Situações assim estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil. Prisões espetaculares seguidas de solturas-relâmpago. O que está acontecendo com a Justiça? O país está normalizando o tráfico de drogas?
Essa decisão foi tão absurda que o Ministério Público representou contra o juiz na Controladoria do Tribunal de Justiça do Amazonas, resultando no afastamento do juiz Túlio de Oliveira Dorinho de suas funções. Em sua decisão, o magistrado alegou a primariedade do traficante. No entanto, como o colombiano não possui endereço fixo no Brasil, torna-se difícil mantê-lo sob fiscalização.
Enquanto isso, seguimos nos perguntando: estamos virando um narco-estado?







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