
O Brasil enfrenta um momento delicado em sua trajetória democrática. Além da queda na popularidade do presidente Lula, instituições antes vistas como pilares da estabilidade nacional também passam por um profundo desgaste. O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, enfrenta uma crise de credibilidade sem precedentes, contribuindo para a piora da imagem do país no cenário internacional.
O impacto desse cenário foi evidenciado no Índice de Democracia 2024, elaborado pela revista britânica The Economist, que rebaixou o Brasil do 51º para o 57º lugar entre 167 países avaliados. Agora, o país segue classificado como uma “democracia falha”, ficando atrás de nações como Argentina e Hungria.
Segundo o relatório, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram um papel determinante na piora da avaliação brasileira. Entre os fatores apontados, destaca-se a suspensão temporária da rede social X (antigo Twitter) durante o período eleitoral de 2024, além da imposição de multas para usuários que utilizassem VPNs para burlar restrições.
A The Economist alerta que medidas como essa, que limitam o acesso a plataformas digitais em um país democrático, são sem precedentes e vão contra princípios fundamentais de liberdade de expressão. Para a publicação, tais decisões reforçam a percepção de um controle judicial excessivo sobre a comunicação digital e o debate público.
Some-se a isso tudo o fato do judiciário brasileiro manter preso jornalistas e deputado federal por crimes de opinião. Outos tantos encontram-se exilados do país como é o caso dos jornalistas Oswaldo Eustáquio Filho e Allan dos Santos.
O relatório também revela que a democracia mundial atingiu seu pior nível desde 2006, ano em que o índice começou a ser calculado. A Noruega lidera a lista como a democracia mais consolidada do mundo, enquanto o Afeganistão ocupa a última posição.
Atualmente, apenas 45% da população mundial vive sob alguma forma de democracia, enquanto cerca de 39% está sujeita a regimes autoritários. No caso do Brasil, o cenário preocupa analistas, que veem a crescente intervenção do Judiciário como um fator de risco para a saúde institucional do país.
Com o rebaixamento no ranking, o Brasil não apenas perde prestígio internacional, mas também acende um alerta interno: estaria o país caminhando para um aprofundamento da crise democrática?
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