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Justiça JULGAMENTO PARCIAL?

Tribunais de exceção e a defesa de Bolsonaro: julgamento justo ou cenário de parcialidade?

A polêmica em torno do julgamento do ex-presidente e o debate sobre a imparcialidade da Suprema Corte

24/02/2025 às 19h59
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Dino não só foi indicado por Lula com foi seu ministro da Justiça e priva de sua intimidade - Foto: Reprodução
Flávio Dino não só foi indicado por Lula com foi seu ministro da Justiça e priva de sua intimidade - Foto: Reprodução

No Brasil, a Constituição Federal veda expressamente a criação de tribunais de exceção, garantindo o princípio do juiz natural no artigo 5º, inciso XXXVII. No entanto, o debate sobre julgamentos politicamente motivados tem ressurgido com força diante do iminente julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa do ex-presidente solicitou o impedimento dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, alegando que ambos possuem histórico de litígios contra Bolsonaro e foram indicados ao STF pelo presidente Lula (PT). O advogado criminalista Celso Villardi, representante do ex-presidente, argumenta que a participação dos dois ministros comprometeria a imparcialidade do julgamento.

O debate sobre tribunais de exceção no Brasil

Historicamente, o Brasil já teve tribunais de exceção, como o Tribunal de Segurança Nacional (TSN), criado por Getúlio Vargas em 1936 para julgar envolvidos no levante comunista de 1935, e as comissões instauradas após o "golpe militar" de 1964 para investigar e punir opositores do regime. Embora tais órgãos não existam mais, a alegação de que o STF age de maneira parcial em processos de grande impacto político gera um intenso debate.

A recente declaração de um dos ministros da Suprema Corte – “Perdeu, mané” – e a fala sobre a “derrota do bolsonarismo” reforçam a percepção de que o julgamento do ex-presidente pode ser conduzido em um ambiente contaminado por disputas ideológicas. Isso levanta questionamentos: a retirada de dois ministros garantiria um julgamento justo? Há algum integrante do STF isento o suficiente para julgar o caso sem viés político?

O avanço da defesa e a delação de Mauro Cid

Além do pedido de impedimento dos ministros, a defesa de Bolsonaro também busca anular a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Segundo os advogados, os depoimentos de Cid apresentaram inconsistências e mudanças ao longo do tempo. Em áudios vazados à imprensa, o militar chegou a afirmar que foi induzido a fornecer informações. No entanto, posteriormente, ele negou ter sido pressionado e reafirmou a validade de sua colaboração.

Diante desse cenário, os advogados de Bolsonaro também consideram pedir que o julgamento ocorra no plenário do STF, em vez de ser analisado pela Primeira Turma da Corte, onde Moraes tem conseguido decisões unânimes. No plenário, haveria maior possibilidade de divergências entre os ministros.

Julgamento político ou devido processo legal?

A preocupação com a isenção do STF no julgamento de Bolsonaro não se limita à defesa do ex-presidente. O debate sobre a atuação da Suprema Corte em casos de grande repercussão política ganha força no país, especialmente em um contexto de polarização intensa. Se, por um lado, há quem defenda que Bolsonaro deve ser julgado pelos atos que cometeu, por outro, há uma crescente preocupação com o risco de um julgamento direcionado, onde o veredicto já estaria previamente definido.

Independentemente da posição política de cada cidadão, o que está em jogo não é apenas o destino de um ex-presidente, mas a credibilidade do sistema de Justiça no Brasil. Se há dúvidas sobre a imparcialidade da Suprema Corte, o país pode estar caminhando para um perigoso precedente que compromete a segurança jurídica e os princípios democráticos. O desafio agora é garantir que a Justiça seja feita – e que seja percebida como tal por todos os brasileiros.

 

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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