
As pesquisas eleitorais indicam que o partido de centro-direita União Democrata Cristã (CDU) deve sair vitorioso nas eleições alemãs deste domingo (23), com Friedrich Merz como favorito. Apesar de pertencer à mesma legenda que levou Angela Merkel ao poder, Merz tem um perfil político mais conservador e distante do estilo centrista da ex-chanceler. Sua trajetória inclui passagem pelo Parlamento Europeu e liderança da CDU no início dos anos 2000, quando enfrentou rivalidade com Merkel.
Merz se afastou da política após a ascensão de Merkel ao poder em 2005, dedicando-se ao setor privado. No entanto, retornou em 2018, após o anúncio de que a ex-chanceler não concorreria à reeleição. Sua campanha tem se concentrado na recuperação econômica e na crise migratória, dois dos principais desafios enfrentados pela Alemanha. O candidato defende um modelo econômico mais liberal, com corte de burocracia estatal, e endurecimento das regras de imigração, incluindo controles permanentes de fronteira e detenção indefinida de criminosos sujeitos à deportação.
Na política externa, Merz apoia um fortalecimento da União Europeia e maior alinhamento com os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à guerra na Ucrânia. Diferente do atual chanceler Olaf Scholz, que reluta em fornecer mísseis de longo alcance para Kiev, o candidato da CDU sinaliza que poderá ampliar o envio de armamentos. Ele também se posiciona favoravelmente à entrada da Ucrânia na Otan, contrariando a postura de líderes como Donald Trump.
A possível vitória de Merz pode marcar uma guinada à direita no cenário político alemão, impulsionada pelo crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita que aparece em segundo lugar nas pesquisas, com cerca de 20% das intenções de voto. O Partido Social-Democrata (SPD), de Scholz, vem em terceiro, com 16%. Analistas apontam que, caso eleito, Merz enfrentará o desafio de equilibrar sua agenda conservadora com a necessidade de coalizões para governar.
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