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Saúde NOVA PANDEMIA?

A China e os vírus pandêmicos: mais uma vez, a história se repete?

Por que a China se tornou um epicentro recorrente de epidemias virais? O que aprendemos com a pandemia de Covid 19, e o que podemos esperar da nova ameaça que surge?

21/02/2025 às 19h43
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações O Globo
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China descobre novo vírus com potencial pandêmico a exemplo da Covid 19 - Foto: Reprodução
China descobre novo vírus com potencial pandêmico a exemplo da Covid 19 - Foto: Reprodução

O famoso ditado de Karl Marx, "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa", parece se encaixar perfeitamente no momento atual, onde mais um vírus com potencial pandêmico surge, novamente na China. Sempre no país asiático.

Após a pandemia de Covid 19, que devastou o mundo e expôs uma série de falhas nos sistemas de saúde globais, agora é o vírus HKU5-CoV-2 que desperta preocupações. Mas por que a China se tornou um ponto recorrente de surgimento de vírus altamente contagiosos? A cada nova epidemia, surge a mesma pergunta: o que a China aprendeu com as catástrofes anteriores e com a pandemia de Covid 19?

Epidemias e pandemias: um padrão alarmante

Nos últimos 100 anos, diversas epidemias virais de grande escala surgiram na China, especialmente vírus de gripe e coronavírus, que causaram tragédias internacionais. O vírus da SARS (2003), o H5N1 da gripe aviária (1997), a gripe de Hong Kong (1968) e a gripe asiática (1957) são apenas alguns dos exemplos mais notáveis.

  1. SARS (2003): O vírus que desencadeou uma pandemia em 2003 começou em morcegos, passou para civets e, em seguida, para seres humanos, espalhando-se principalmente pela China, Hong Kong e outros países asiáticos. Com 774 mortos e 8.096 infectados, a SARS se tornou um pesadelo para a saúde pública mundial.

  2. Gripe aviária A (H5N1, 1997): Embora a gripe aviária não tenha se espalhado entre humanos de forma significativa, a preocupação global com a possibilidade de mutação do vírus para uma forma facilmente transmissível permaneceu, especialmente após centenas de mortes de aves em Hong Kong e outros países asiáticos.

  3. Gripe de Hong Kong (1968): Este vírus causou mais de um milhão de mortes globalmente, com o epicentro na China, antes de se espalhar por outros continentes. A resposta internacional coordenada pela OMS foi vital, mas a propagação foi inevitável.

  4. Gripe asiática (1957): Outro vírus de gripe originado na China, que provocou mais de um milhão de mortes. O impacto foi devastador não apenas para a China, mas para todo o mundo, similar ao impacto da pandemia de 1918, conhecida como a Gripe Espanhola.

Esses eventos parecem fazer parte de um ciclo de surpresas virais, onde a China, com sua grande população, sistemas de mercado instáveis e conexões com a vida selvagem, se tornou um ponto crítico para o surgimento de novos patógenos.

O que a China aprendeu com a pandemia de Covid-19?

Após o estrondoso impacto da Covid 19, que matou milhões globalmente e levou a uma crise econômica mundial, seria razoável esperar que a China tivesse reforçado seus protocolos de segurança sanitária e vigilância viral. No entanto, a descoberta recente do HKU5-CoV-2, um novo coronavírus com capacidade de se espalhar de morcegos para seres humanos, levanta sérias questões sobre os avanços feitos, ou a falta deles, no país.

A China deveria, teoricamente, estar mais preparada para lidar com a detecção precoce de vírus como o HKU5-CoV-2. No entanto, o fato de um vírus com características semelhantes ao SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de Covid 19, ter sido encontrado em Wuhan mais uma vez reflete a persistência de certos fatores problemáticos:

  • Mercados de animais silvestres: O consumo e a venda de animais selvagens são comuns em várias regiões da China, representando um risco contínuo de transmissão de patógenos zoonóticos (de animais para humanos). Isso continua sendo uma falha na política de saúde pública, apesar das lições aprendidas com a pandemia.

  • Falhas no controle de transmissão: A falta de transparência e a lentidão nas respostas governamentais, como visto no início da pandemia de Covid 19, podem ter contribuído para a propagação de outros vírus, como o novo coronavírus.

HKU5-CoV-2: mais um vírus chinês com potencial pandêmico?

O HKU5-CoV-2, que foi descoberto recentemente, compartilha semelhanças alarmantes com o SARS-CoV-2 (Covid 19), especialmente o uso do receptor ACE2 para invadir células humanas. Embora ainda não se saiba se o vírus tem o potencial de causar uma nova pandemia, o fato de ele ser capaz de infectar culturas de células humanas é um sinal de alerta.

Os cientistas alertam para o risco dos merbecovírus, família à qual o HKU5-CoV-2 pertence. Com a capacidade de se espalhar entre espécies, incluindo morcegos e possivelmente outros animais intermediários como pangolins, o vírus tem características que o tornam potencialmente perigoso, embora ainda necessite de mais estudos para entender seu risco real.

A reação global e os impactos financeiros

O surgimento de uma nova ameaça viral levou a uma alta no valor do dólar, que subiu 0,46% frente ao real, e a uma queda no preço do petróleo. Os mercados financeiros, como é de se esperar, reagiram com receio de uma nova crise global. A incerteza quanto à evolução do HKU5-CoV-2 está alimentando uma fuga para ativos mais seguros, como o dólar, e o temor de novas restrições à economia global. A pressão sobre as economias, especialmente nos países emergentes, só tende a crescer com a possibilidade de mais uma pandemia.

Conclusão: O que a história nos diz?

A China, mais uma vez, se vê no centro de uma crise viral com implicações globais. A pergunta que paira no ar é: o país aprendeu realmente com as lições da Covid 19 e das epidemias anteriores? Ou continuamos a ver uma repetição de erros que podem desencadear novas tragédias? Como os exemplos históricos já demonstraram, quando se trata de vírus potencialmente pandêmicos, a história parece não só se repetir, mas, muitas vezes, se transformar em um cenário de farsa – onde a negligência e a falta de preparação podem custar muito mais do que vidas humanas, mas também a estabilidade econômica global.

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