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CEO X ministro: quando a censura vira fronteira de disputa

O embate entre Chris Pavlovski e Alexandre de Moraes coloca em xeque a autoridade internacional no controle de plataformas digitais

20/02/2025 às 19h41 Atualizada em 20/02/2025 às 20h53
Por: Douglas Ferreira
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CEO da Rumble se impôs diante do pedido de censura de Moraes - Foto: Reprodução
CEO da Rumble se impôs diante do pedido de censura de Moraes - Foto: Reprodução

Em um cenário onde a censura digital se tornou tema central de tensões geopolíticas, o CEO da Rumble, Chris Pavlovski, disparou novas críticas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao revelar ter recebido mais uma “ordem ilegal e sigilosa” do magistrado. A troca de farpas acontece no momento em que a empresa americana se recusa a acatar qualquer ordem que envolva censura de seus usuários no Brasil, principalmente quando essa demanda é considerada ilegal ou incompatível com os direitos constitucionais.

Pavlovski, desafiando Moraes, declarou nas redes sociais que o ministro não possui autoridade sobre a plataforma de vídeo, que opera fora do Brasil e está sediada nos Estados Unidos. "Você não tem autoridade sobre o Rumble aqui nos EUA, a menos que passe pelo governo dos Estados Unidos", afirmou o CEO, deixando claro que a guerra jurídica entre eles pode ir parar nos tribunais.

Esse novo conflito ganha corpo após a postura firme da Rumble em dezembro de 2023, quando a plataforma deixou de operar no Brasil, citando as ordens de censura de Moraes como uma das razões para sua retirada. Essa decisão, por sua vez, expôs ainda mais a incompatibilidade de algumas ações judiciais brasileiras com as normas e os processos legais internacionais.

A ordem de Moraes, segundo informações, não foi formalmente transmitida por canais oficiais. O advogado das empresas Rumble e Trump Media and Technology Group, Martin De Luca, apontou que o ministro se utilizou de um simples e-mail para tentar notificar a plataforma. Tal procedimento, segundo De Luca, é inválido para cumprimento de ordens judiciais em outro país, destacando os procedimentos corretos que envolvem tratados internacionais como o de assistência legal mútua entre Brasil e Estados Unidos.

Esse episódio traz à tona questões mais amplas sobre os limites da autoridade nacional frente à operação global de empresas tecnológicas. Enquanto Moraes segue buscando formas de censurar conteúdos no Brasil, é preciso observar até onde ele pode ir sem violar acordos internacionais e os direitos das plataformas baseadas em outros países.

Por ora, o clima de desentendimento entre a Rumble e Moraes parece longe de se resolver, e o impacto dessa disputa pode moldar o futuro do controle de plataformas digitais, não apenas no Brasil, mas também em outros territórios onde a liberdade de expressão e o controle de informações estão em jogo.

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