
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na última segunda-feira (10) a imposição de uma tarifa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio. A decisão, que não prevê exceções, deve entrar em vigor nos próximos dias e impactará diretamente países exportadores, como o Brasil. O anúncio foi feito um dia após Trump antecipar a medida a repórteres durante um voo no Air Force One.
O Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA, pode sofrer consequências significativas. Em 2024, as exportações brasileiras de aço e ferro para o mercado americano somaram US$ 4,67 bilhões, representando 14,9% do total importado pelos EUA. Os americanos, por sua vez, foram destino de quase metade das exportações brasileiras do setor. Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a decisão. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmaram que aguardam mais detalhes antes de se manifestar.
Especialistas alertam que o Brasil precisará diversificar seus mercados para reduzir os impactos da nova tarifa. No entanto, a desaceleração da demanda chinesa pelo material nos últimos anos dificulta essa alternativa. Gustavo Cruz, da RB Investimentos, explica que mesmo um redirecionamento para a China não compensaria a perda do mercado americano. Em 2020, as exportações chinesas de ferro e aço atingiram US$ 2,12 bilhões, mas desde então vêm caindo.
A professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, Marcela Franzoni, destaca que encontrar um novo mercado substituto no curto prazo é um desafio. “Existe toda uma estrutura produtiva focada no mercado americano. A desvalorização do preço do aço também torna a diversificação ainda mais difícil”, analisa. Diante desse cenário, a indústria siderúrgica brasileira pode enfrentar um período de incertezas enquanto busca alternativas para minimizar os prejuízos.
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