
A Bolívia decidiu vender parte de suas reservas de ouro no exterior para conseguir dólares e garantir a importação de combustíveis, que são subsidiados no mercado interno. A medida foi anunciada pelo Ministério de Economia e Finanças nesta quinta-feira (6) e ocorre em meio a uma grave crise econômica e à escassez de divisas no país.
Segundo o ministro Marcelo Montenegro, o Banco Central da Bolívia comprou 14,5 toneladas de ouro da mineração local ao longo de 2024 para revendê-las. A receita obtida tem sido usada para manter os subsídios aos combustíveis. No entanto, ele admitiu que isso não permitiu aumentar as reservas internacionais, servindo apenas para financiar importações essenciais.
A situação econômica da Bolívia se agravou nos últimos anos. O país vinha utilizando suas reservas internacionais para sustentar os subsídios, mas os recursos estão praticamente esgotados. No fim de 2024, o Banco Central registrou reservas de apenas US$ 1,976 bilhão, sendo que apenas US$ 50 milhões eram reservas líquidas em dinheiro. A queda na exportação de gás natural, que antes representava a maior parte das divisas do país, agravou a crise.
A escassez de dólares gerou um mercado paralelo, onde a cotação da moeda americana disparou para 11,3 bolivianos, bem acima do câmbio oficial de 6,97, que já não está acessível ao público. Apesar disso, Montenegro garantiu que o ouro vendido não faz parte das 22 toneladas mantidas pelo Banco Central como reserva permanente.
Especialistas alertam que essa estratégia não é sustentável. O ex-diretor do Banco Central, José Luis Evia, afirmou que a venda de ouro tem um limite, pois os estoques não são infinitos. Além disso, muitos mineradores preferem vender no exterior para receber em dólares, evitando a conversão oficial para bolivianos, o que tem levado ao aumento do contrabando do metal.
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