
A descoberta do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na vida adulta tem se tornado cada vez mais comum e representa, para muitos, um divisor de águas. Essa condição neuroatípica, marcada por dificuldades na interação social, comunicação e comportamentos repetitivos, quando diagnosticada em fases avançadas da vida, pode trazer respostas a limitações vividas desde a infância, transformando frustrações em autocompreensão.
Embora o autismo costume ser identificado na infância, muitos adultos chegam ao diagnóstico após anos de dúvidas. Entre os sinais mais comuns estão:
Quando buscar ajuda?
Se essas características interferem no cotidiano e nas relações, é indicado procurar um especialista. O primeiro passo pode ser uma consulta com um psiquiatra, neuropsicólogo ou outro profissional de saúde mental. Eles realizam avaliações clínicas e podem encaminhar para equipes multiprofissionais, compostas por terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos.
Para muitos, como o juiz Ricardo Fulgoni, que recebeu o diagnóstico após os 30 anos, e o analista Gilson Azevedo, diagnosticado aos 60, a descoberta do autismo trouxe alívio e autocompreensão. Ambos relatam que o diagnóstico foi libertador, permitindo entender limitações como dificuldades de socialização, ao mesmo tempo em que validou suas particularidades e pontos fortes, como a facilidade em aprender idiomas ou o foco em tarefas específicas.
"Descobrir que sou autista foi como colocar um nome nas dificuldades que carreguei por toda a vida. Agora, sei que não sou ‘menos’ que os outros, apenas penso e funciono de forma diferente", destacou Fulgoni.
Desde 2023, o SUS oferece suporte específico às pessoas com TEA por meio da Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência. O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (UBS), com encaminhamento para centros especializados, onde uma equipe multiprofissional realiza avaliações biopsicossociais e desenvolve um Projeto Terapêutico Singular (PTS).
Atualmente, o Brasil conta com 274 Centros Especializados em Reabilitação, que oferecem apoio diagnóstico e terapêutico. A inclusão também passa pelo esclarecimento da sociedade sobre o espectro autista, desmistificando preconceitos e garantindo a plena participação das pessoas neuroatípicas.
O TEA é classificado em diferentes níveis, que variam de suporte leve (nível 1) a necessidades de suporte intensivo (nível 3). Essa categorização reforça que não existe um "autismo único". Cada pessoa é única em suas potencialidades e desafios.
A ciência avança, mas o caminho para a inclusão depende também do olhar da sociedade. Com mais diagnósticos e compreensão, a descoberta do autismo na vida adulta deixa de ser apenas um diagnóstico para se tornar uma ferramenta de autoconhecimento e empoderamento.
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