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Uso de algemas em deportados brasileiros ocorre há anos, mas ganha destaque apenas agora

Governo Lula continua críticas à prática dos EUA, que se arrastam desde o governo Bolsonaro, em meio a recentes deportações de brasileiros

26/01/2025 às 12h05 Atualizada em 27/01/2025 às 07h36
Por: Wagner Albuquerque
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Brasileiros deportados dos Estados Unidos em Manaus - Foto: Reprodução
Brasileiros deportados dos Estados Unidos em Manaus - Foto: Reprodução

O uso de algemas e correntes nos pés de brasileiros deportados dos Estados Unidos tem gerado críticas constantes por parte do governo brasileiro. A prática, adotada como protocolo padrão pelas autoridades norte-americanas, permanece em vigor, mesmo após vários apelos para sua revisão. O tema ganhou maior visibilidade na mídia após o incidente ocorrido em janeiro de 2025, quando brasileiros desembarcaram algemados no Brasil.

Entre 27 de janeiro de 2023 e 10 de janeiro de 2025, o Aeroporto de Confins, em Minas Gerais, recebeu 3.660 brasileiros deportados em 32 voos fretados pelo governo dos Estados Unidos, durante a gestão do presidente norte-americano Joe Biden. A prática de utilizar algemas nos deportados já havia sido criticada desde o governo de Jair Bolsonaro, que, por meio do Itamaraty, solicitou a suspensão do uso das algemas, especialmente em casos envolvendo famílias.

O episódio mais recente que gerou polêmica ocorreu em 24 de janeiro de 2025, quando um voo com deportados partiu da Virgínia e precisou fazer um pouso não planejado em Manaus devido a problemas técnicos. No desembarque, os passageiros estavam algemados, o que provocou uma reação do Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Ele considerou a ação um desrespeito aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros e determinou a remoção das algemas, além do transporte dos deportados para Belo Horizonte em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Apesar das críticas do governo brasileiro, autoridades dos Estados Unidos justificam o uso de algemas como uma medida necessária para garantir a segurança dos voos de deportação. A prática, segundo as autoridades norte-americanas, é mantida independentemente da administração em vigor. O processo de deportação nos EUA envolve a detenção de imigrantes, que são depois avaliados por juízes, e, uma vez decidida a deportação, são enviados de volta aos seus países em aeronaves do Departamento de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE), frequentemente algemados e com os pés acorrentados.

Durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2024, 7.168 brasileiros foram deportados, um número superior ao registrado durante o governo de Donald Trump, que deportou 0,7% de brasileiros, e o governo de Barack Obama, com 0,4%. No total, os brasileiros representaram 1,3% do total de deportados durante o governo Biden, refletindo uma tendência crescente de deportações.

A continuidade do uso de algemas nos deportados é um tema sensível nas relações entre Brasil e Estados Unidos, com o governo brasileiro reiterando suas críticas sobre o tratamento dado aos deportados e a manutenção de práticas que consideram desrespeitosas aos direitos dos cidadãos.

Confira dados de deportações desde o início do governo Lula:

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