
O português, com sua riqueza e complexidade, é, sem dúvida, uma língua que exige esforço e dedicação para ser plenamente dominada. Contudo, é alarmante constatar que, em tempos de comunicação instantânea, muitos parecem abdicar até mesmo do básico. A juventude atual, marcada por gírias digitais e abreviações, frequentemente parece se expressar em um idioma paralelo – reflexo direto de lacunas na educação básica. E não, não falamos apenas dos egressos da chamada 'Pátria Educadora', mas de um fenômeno que transcende gerações: até mesmo graduados, em teoria bem formados, tropeçam em conceitos elementares como verbo, sujeito e predicado, comprometendo a construção de uma comunicação clara.
Se de cidadãos comuns já se espera esforço mínimo pela clareza, o que dizer daqueles que ocupam as cadeiras de comando da República? Não que surpreenda no caso de Lula – um político cuja trajetória já era acompanhada por limitações vernaculares amplamente conhecidas. Ele foi escolhido por um eleitorado que, entre muitas razões, considerou irrelevantes tais déficits. Porém, ao que parece, essa negligência com a norma culta vem sendo normalizada em esferas onde a excelência deveria ser uma regra, não uma exceção.
Os tropeços constantes no vernáculo cometidos por Janja
A primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, voltou a ser alvo de críticas e piadas após erros de português em discursos públicos que viralizaram nas redes sociais. Episódios recentes reacenderam o debate sobre a forma como figuras públicas se expressam e o impacto de suas falas na percepção popular.
Um dos casos mais comentados ocorreu durante um evento musical feminino, quando Janja declarou: "para vocês a gente foi para o Egito agora e aí eu conheci a esfinge da única faraona que tem agora pronto" (o feminino da palavra "faraó" não existe na língua portuguesa. "Faraó" é um substantivo masculino que se refere ao monarca que governava o Egito Antigo).
A confusão gerada pela frase rapidamente tomou conta da internet, com usuários apontando problemas de coesão e coerência na fala.
Outro momento que gerou repercussão foi um discurso híbrido de inglês e português, no qual Janja afirmou: "Hello, Global citizens eu não estou aí hoje com vocês mas eu tô aqui no Central Park para fazer importantes chamados aos cidadões globais". Além da mistura de idiomas, o uso incorreto do termo "cidadões" em vez de "cidadãos" rendeu uma chuva de memes e críticas.
E, mesmo ao abordar temas sérios e relevantes, Janja também comete deslizes. Ao falar sobre as queimadas no Brasil, misturou o assunto com as crianças vítimas da guerra em Gaza, criando mais um momento confuso em suas declarações.
Os deslizes não são novidade para a primeira-dama. Em outra ocasião, ao falar sobre trajetórias políticas, Janja afirmou: "Sempre falo que a gente tinha trilhado um caminho, tinha abrido aquele aquele aquele caminho aquela trilha e essa trilha se fechou.' O uso do verbo 'abrido' em vez de 'aberto' chamou a atenção para sua dificuldade com a norma culta da língua portuguesa e para sua forma de se comunicar.
Esses episódios refletem o peso da exposição constante de figuras públicas em tempos de redes sociais, onde qualquer deslize é amplificado e rapidamente transformado em motivo de crítica ou piada. Para muitos, as falhas de Janja se tornaram um anedotário virtual, enquanto outros argumentam que erros linguísticos são comuns em discursos improvisados e não deveriam ser superestimados.
Embora os memes e as críticas sejam abundantes, parte da população vê as reações como exageradas. "Ninguém está imune a erros, ainda mais em momentos de pressão ou improviso", afirmaram alguns defensores nas redes. No entanto, os críticos destacam que, como primeira-dama e socióloga graduada, Janja deveria se preparar melhor para evitar gafes que comprometam sua imagem e a do governo.
Além disso, o impacto de sua comunicação vai além da esfera pessoal, já que a primeira-dama representa o governo em eventos nacionais e internacionais, e disso ela não tem 'abrido' mão, ou melhor, aberto mão. A maneira como ela se expressa é frequentemente associada à seriedade e à competência da administração federal, mesmo que seus erros linguísticos não sejam necessariamente indicativos de falta de capacidade intelectual.
Os casos de Janja reforçam a vigilância constante que figuras públicas enfrentam e a necessidade de maior preparo ao se posicionar diante de plateias físicas ou virtuais. Em um cenário onde qualquer deslize viraliza, cuidar da comunicação pode ser a diferença entre transmitir confiança ou virar meme.
Para Janja, os episódios podem ser uma oportunidade de aprimorar sua oratória e evitar erros desnecessários que coloquem em xeque sua imagem pública. Afinal, a linha entre uma gafe perdoável e uma falha memorável pode ser tão tênue quanto uma vírgula fora do lugar.
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