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Mãe de vítima do acidente da Voepass diz que a filha foi "vítima da ganância"

O desespero de Fátima reflete a indignação de muitas outras famílias que também perderam seus entes queridos naquele voo. "Não vou me calar. Essas pessoas têm nome, têm história, e eu preciso lutar pela da minha filha", declarou

11/08/2024 às 18h48
Por: Douglas Ferreira
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Fátima Albuquerque, mãe da vítima Arianne Risso - Foto: Reprodução/Sergio Barzaghi/Estadão
Fátima Albuquerque, mãe da vítima Arianne Risso - Foto: Reprodução/Sergio Barzaghi/Estadão

"Vi minha filha queimar ao vivo na televisão." Essas palavras cortantes e angustiadas vieram do desabafo de Fátima Albuquerque, uma mãe devastada pela perda de sua filha, Arianne Risso, de 34 anos, em um acidente aéreo que deixou o Brasil em luto. A tragédia aconteceu na última sexta-feira (9), quando o voo 2283 da Voepass, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu e se transformou em uma cena de horror transmitida para milhões de lares.

Fátima, que agora vive em um vazio imensurável, culpa a "ganância humana" e o que ela descreve como "lata velha" que tirou a vida de sua única filha. "Isso não foi uma fatalidade. Foi culpa da 'voemorte'. Minha filha e os outros passageiros foram vítimas de um acidente anunciado."

O choque, a dor e a revolta se entrelaçam nas palavras de Fátima. Ela exige que as companhias aéreas, tanto a Voepass quanto a Latam, sejam responsabilizadas pelo que aconteceu. Arianne, uma jovem residente em oncologia, estava a caminho de um congresso de medicina, com sonhos de formar uma família ao fim de sua residência. Mas esses sonhos foram interrompidos de maneira brutal e desumana.

O desespero de Fátima reflete a indignação de muitas outras famílias que também perderam seus entes queridos naquele voo. "Não vou me calar. Essas pessoas têm nome, têm história, e eu preciso lutar pela da minha filha", declarou, insistindo que as famílias estão sendo silenciadas pelas autoridades.

O marido de Arianne, Leonardo Risso, também compartilha da dor e da sensação de injustiça. "Minha esposa era a pessoa mais amável do mundo. É muita injustiça o que aconteceu".

O enterro de Arianne será em Fernandópolis (SP), cidade onde sua família vive. A aeronave caiu na área de uma casa no condomínio Recanto Florido, no bairro Capela, matando todos os 58 passageiros e quatro tripulantes a bordo.

Enquanto a Voepass e a Latam emitem notas lamentando a tragédia e explicando os acordos de codeshare, as palavras de Fátima ecoam como um grito de uma mãe que viu sua filha morrer em rede nacional, pedindo por justiça e por respostas que talvez nunca cheguem.

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