
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, tornou-se o retrato fiel da desorientação que parece dominar o governo Lula III. Suas declarações recentes, que mais parecem tiradas de improviso do que fruto de um planejamento estratégico, reforçam a sensação de que o Brasil navega sem rumo em meio à inflação galopante dos alimentos.
Nesta semana, Rui Costa protagonizou mais uma gafe ao propor que os brasileiros troquem a laranja por outra fruta, diante do aumento expressivo nos preços. Segundo ele, fatores como doenças que afetaram plantações nos Estados Unidos e no Brasil contribuíram para a alta do produto. "O que se pode fazer? Mudar a fruta que a gente vai consumir", sugeriu o ministro, ignorando o fato de que o Brasil é o maior exportador mundial de suco de laranja e que uma solução mais eficaz seria combater os gargalos internos da cadeia produtiva.
A fala veio dias após outra ideia controversa: estender a validade de alimentos vencidos, o que foi duramente criticado pela opinião pública. O silêncio dos ministros da área econômica diante dessas propostas só agrava a percepção de um governo que improvisa ao lidar com a alta de preços.
Em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", da estatal EBC, Costa mencionou possíveis "intervenções" para conter a inflação dos alimentos, mas não especificou quais seriam. As declarações levantaram especulações sobre medidas como congelamento de preços, criação de supermercados estatais ou outras práticas de inspiração peronista e venezuelana, que historicamente geraram mais problemas do que soluções.
Enquanto o governo se perde em propostas questionáveis, os preços dos alimentos seguem fora de controle. O filé mignon, por exemplo, subiu 18,53% em 2024, e a carne, promessa de campanha de Lula, tornou-se um item cada vez mais inacessível para os brasileiros. Até o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deu uma previsão distante para um alívio no bolso da população, afirmando que, com sorte, o brasileiro poderá comer filé mignon até 2026.
A crise atual traz à memória outras gestões que também recorreram a sugestões simplistas para driblar a inflação. Durante o governo de Dilma Rousseff, o secretário de Política Econômica sugeriu que os brasileiros substituíssem carne vermelha por frango e ovos. Já no governo Bolsonaro, a recomendação foi recorrer ao macarrão, enquanto o presidente se recusava a interferir nos preços.
A diferença, contudo, está no agravamento da situação. A inflação já não é contida apenas por alternativas no cardápio; é resultado de um descontrole fiscal que pressiona ainda mais os consumidores. A medida mais óbvia para lidar com a crise – cortar gastos públicos e evitar a impressão de moeda – parece fora do radar do governo, que insiste em soluções paliativas.
O cidadão baiano já não se surpreende mais com as gafes de Rui Costa. O atual ministro da Casa Civil é, como se diz no Nordeste, "cuspido e escarrado" (uma corruptela de "esculpido em carrara"), o reflexo do governo Lula III – sem tirar nem pôr. Para quem não se recorda, Rui Costa, ex-governador da Bahia, foi protagonista de uma grave controvérsia enquanto presidia o polêmico Consórcio Nordeste. Durante a pandemia de Covid 19, R$ 48,7 milhões desapareceram em uma negociação de compra de respiradores com uma empresa cuja especialidade, na verdade, era a produção de produtos à base de cannabis sativa (maconha). Nenhum dos 300 respiradores foram entregues até hoje.
Entre as frases que marcaram sua trajetória, destaca-se a infeliz declaração de que "o narcotráfico emprega muito jovem". Agora, no cenário nacional, Costa mantém sua fama de 'desatinado', frequentemente proferindo ideias desconexas. O episódio controverso da mudança na validade de produtos vencidos – uma proposta que rapidamente foi criticada virou meme nas redes sociais. É impossível não lembrar a célebre frase de Gleisi Hoffmann no passado, referindo-se à venda de carne de qualidade inferior: "carne pobre para a pobreza".
Enquanto o brasileiro tenta adaptar sua mesa à realidade do mercado, as declarações de Rui Costa reforçam a sensação de que o prato principal do governo é o improviso, servido em porções cada vez mais indigestas.
ESCOLA DO RECIFE Tobias Barreto de Menezes: o jurista que revolucionou o pensamento jurídico brasileiro
NAS MÃOS DOS COIOTES Fugindo do “inferno”: por que milhares de cubanos agora escolhem o Brasil para recomeçar a vida?
ATENAS ALAGOANA Penedo: a Atenas do Nordeste que encantou Dom Pedro II e preserva quase cinco séculos de história às margens do Velho Chico
REJEIÇÃO INTERNA Vinícius Dias expõe resistência no PT e revela por que Iasmin recuou da suplência
POLÍCIA FEDERAL Quanto mais mexe, mais fede: cerco da PF aperta e Jaques Wagner vira problema para o Planalto
ACESSO A PF E PGR Vorcaro não queria influência. Queria acesso ao topo da República
JUSTIÇA DO TRABALHO Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público
PROPINODUTO MASTER A queda da engolideira: quando o Banco Master deixou de ser banco para virar máquina de poder
TURISMO AMERICANO Ranking revela as melhores cidades dos Estados Unidos em 2026: por onde começar a realizar o sonho americano?
Mín. 23° Máx. 32°