
O cessar-fogo na Faixa de Gaza foi oficialmente iniciado às 11h15 (horário local, 06h15 de Brasília), conforme comunicado do Gabinete do primeiro-ministro israelense. A trégua, aguardada por ambos os lados, enfrentou um atraso de quase três horas devido a um "problema técnico" na entrega dos nomes de três reféns que seriam liberados para Israel neste domingo (19), segundo o Hamas. A medida representa um passo importante para a redução das hostilidades na região, mas já enfrenta resistências e questionamentos internos em Israel.
REAÇÕES INTERNAS E CRÍTICAS AO ACORDO
O cessar-fogo e o acordo envolvendo a troca de reféns desencadearam reações negativas de membros do partido de extrema-direita israelense Otzma Yehudit (Poder Judaico). No último sábado (18), lideranças do partido anunciaram a intenção de renunciar aos cargos no governo em protesto contra o acordo, que prevê a libertação de prisioneiros palestinos em troca dos reféns israelenses.
“Este acordo constitui uma rendição ao Hamas”, afirmou o partido em declaração, destacando que a medida é um retrocesso às conquistas militares israelenses na guerra. Entre os membros que devem apresentar suas cartas de renúncia estão o Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e os ministros Yitzhak Wasserlauf e Amihai Eliyahu. Apesar disso, a saída do Otzma Yehudit não será suficiente para desestabilizar a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Em resposta às críticas, Netanyahu defendeu o acordo, reiterando que Israel se reserva o direito de retomar as operações militares caso o Hamas não cumpra sua parte no entendimento. Por outro lado, Ben Gvir reforçou sua posição em favor de uma retomada imediata das hostilidades, afirmando: “Dado que o Hamas ainda não foi derrotado, é claro que devemos retornar à guerra — e, portanto, isso não deve ser condicional.”
VIOLÊNCIA PERSISTE APÓS ATRASO
Apesar do anúncio da trégua, a violência continuou na Faixa de Gaza. Bombardeios israelenses realizados na madrugada deste domingo (19) resultaram em pelo menos 13 mortes. O primeiro-ministro Netanyahu enfatizou que o cessar-fogo não teria início até que o Hamas apresentasse a lista dos reféns a serem libertados.
O Hamas, por sua vez, justificou o atraso na entrega dos nomes alegando "razões técnicas de campo". O incidente expõe as tensões e desafios logísticos que ainda permeiam o cumprimento do acordo, mesmo com o avanço do cessar-fogo.
PRÓXIMOS PASSOS
O acordo representa um momento delicado nas relações entre Israel e Hamas, com potencial para reduzir temporariamente as hostilidades, mas também com riscos de colapso diante de fragilidades internas e desconfianças entre as partes envolvidas. A comunidade internacional segue acompanhando de perto os desdobramentos na região, que podem influenciar os rumos do conflito e da política israelense nos próximos dias.
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