
Dois juízes veteranos da Suprema Corte do Irã, conhecidos por sua atuação em casos de grande repercussão, foram mortos a tiros nesta semana em Teerã, capital do país. Segundo informações do judiciário iraniano divulgadas pela mídia estatal, o agressor, que não possuía processos pendentes, tirou a própria vida após cometer o crime.
O ataque, descrito como um “assassinato planejado”, ocorreu dentro de um tribunal, onde o atirador feriu também um guarda antes de fugir e cometer suicídio. As autoridades ainda investigam as motivações do ato, que teve como vítimas os juízes Mohammad Moghiseh e Ali Razini, ambos com um histórico controverso de atuação em processos envolvendo manifestantes, artistas e ativistas políticos.
Mohammad Moghiseh foi amplamente criticado pela comunidade internacional e sancionado pelos Estados Unidos e pela União Europeia devido à sua condução de julgamentos considerados arbitrários. Ele ganhou notoriedade por sentenciar ativistas políticos, cineastas e usuários de redes sociais a penas severas, muitas vezes desproporcionais, como no caso de oito usuários do Facebook condenados a um total de 127 anos de prisão por críticas ao regime.
Ali Razini também acumulava um histórico polêmico, incluindo seu envolvimento na infame “Death Commission”, que, em 1988, foi responsável pela execução de milhares de prisioneiros políticos. Razini havia sobrevivido a uma tentativa de assassinato em 1999, quando uma bomba foi acoplada ao seu veículo, destacando a longa trajetória de tensões e conflitos em sua carreira no judiciário iraniano.
O incidente lança luz sobre a complexidade e as divisões internas do Judiciário iraniano, que há anos enfrenta críticas por violações de direitos humanos e repressão política. A morte dos juízes aprofunda o debate sobre as consequências de décadas de decisões controversas e expõe os riscos enfrentados por figuras de alto escalão no sistema judicial do país.
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