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Azul e Gol: rumo à maior fusão do setor aéreo brasileiro

Memorando de entendimento prevê criação de líder de mercado, mas processo exige aval de órgãos reguladores e superação de barreiras

17/01/2025 às 15h58
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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As ações das companhias aéreas Azul e Gol registraram forte valorização nesta quinta-feira, 16, na B3, após o anúncio de um memorando de entendimento para uma possível fusão entre as empresas. A Azul abriu o dia em alta de 7%, mas encerrou com valorização de 3,8%, enquanto a Gol, que iniciou com uma alta de 10,4%, fechou com ganho de 5%.

Os papéis AZUL4 lideraram os ganhos do Ibovespa, que operou em queda, marcando 122 mil pontos no fechamento. Já as ações da Gol, que não fazem parte do índice, também se destacaram no mercado financeiro. O acordo divulgado na véspera pelas companhias é não vinculante e tem como objetivo explorar a viabilidade de uma integração dos negócios.

O diálogo sobre a fusão começou anteriormente e se intensificou ao longo de 2024, com o apoio de consultorias financeiras e jurídicas. Segundo o CEO da Azul, John Rodgerson, a união das empresas criaria uma gigante no setor aéreo, com aproximadamente 60% de participação no mercado brasileiro. Ele destacou que a parceria aumentaria a conectividade, com mais de 200 cidades atendidas, e fortaleceria a competitividade em um mercado globalizado.

Apesar do potencial, a fusão enfrenta desafios. A Gol precisa concluir seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, para viabilizar a operação. Além disso, a integração depende da aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Especialistas do UBS-BB e do Santander avaliaram o acordo como positivo, mas ressaltaram que a integração pode ser complexa. As empresas utilizam frotas diferentes, o que pode dificultar sinergias em áreas como treinamento de pilotos e manutenção de aeronaves. Além disso, analistas apontam que o ambiente macroeconômico atual, com alta nos preços do petróleo e incertezas econômicas, pode representar desafios adicionais para o setor.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também comentou o impacto da possível fusão. Em entrevista coletiva, afirmou que a união pode contribuir para a redução de preços das passagens, ao diminuir a quantidade de assentos não ocupados. Costa Filho destacou ainda que o Cade e a Anac atuarão para evitar movimentos prejudiciais aos consumidores e garantir que o processo ocorra de forma transparente e justa.

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