
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o que pode ser considerado um de seus momentos mais delicados. Ao ceder à pressão das redes sociais e revogar a normativa da Receita Federal sobre movimentações financeiras no Pix, a administração expôs uma fragilidade que transcende a comunicação e toca no cerne da confiança no governo.
Em editorial desta sexta-feira (17), O Estado de S. Paulo não poupou críticas ao presidente, afirmando que “Lula deu claros sinais de que já não governa - ao contrário, é governado”. Segundo o jornal, a decisão de revogar a medida, tomada após forte reação do público e de um vídeo viral do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG), expõe um governo sem capacidade de sustentar suas próprias diretrizes.
O vídeo de Nikolas Ferreira, que levantou dúvidas sobre a normativa, alcançou mais de 300 milhões de visualizações e causou um impacto colossal e incomparável no Brasil, desde a redemocratização do país. Para o Estadão, enquanto o governo gastava milhões em estratégias de comunicação, o deputado conseguiu mobilizar a opinião pública com recursos mínimos, evidenciando a desconexão do governo com os anseios da população.
“Ao revogar a normativa de maneira atabalhoada, Lula assinou sua incapacidade de governar. Está claro que o presidente, outrora um líder influente, agora se limita a reagir aos acontecimentos, refém de pressões internas e externas,” critica o editorial.
O jornal destaca que o governo parece não ter um plano definido para o país. Eleito com o objetivo de barrar o avanço das forças antidemocráticas, Lula enfrenta uma conjuntura mais complexa do que nos mandatos anteriores. A falta de uma agenda concreta e sua subserviência às pressões demonstram uma liderança vacilante, mais preocupada em apagar incêndios do que em governar. Cadê a assessoria qualificada do governo e do presidente?
Com a confiança dos brasileiros em queda livre e o descontentamento ecoando dentro e fora do PT, a situação de Lula é alarmante. Até mesmo setores da mídia que o apoiaram no passado agora questionam abertamente suas decisões.
Resta saber se o governo conseguirá reverter essa tendência e reconquistar a confiança de um país que, como aponta o editorial, já não acredita no discurso oficial e sente-se sufocado por uma administração que parece mais focada em arrecadar do que em solucionar.
O novo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, foi chamado às pressas para substituir Paulo Pimenta e promover um "upgrade" na comunicação oficial do governo. No entanto, ao que tudo indica, deverá repetir a insossa política de seu antecessor, já que anunciou a manutenção da polêmica licitação de R$ 200 milhões destinada às redes sociais, na tentativa de melhorar a imagem do governo. Especialistas em marketing, no entanto, alertam que esse montante dificilmente trará resultados efetivos.
Resta saber se o novo titular da Secom, encarregado de ressuscitar a desgastada imagem do presidente e de sua administração, será capaz de reverter o cenário ou se acabará lembrando Grigori Rasputin, o místico russo que, ao se aproximar da família do czar Nicolau II, tornou-se uma figura controversa, tanto politicamente influente quanto alvo de desconfianças e críticas no declínio do período imperial.
JORNAL NACIONAL Lula mentiu, a bancada silenciou e o show de horrores continuou no Jornal Nacional
COMIDA CARA Governo Lula recorre ao TSE contra vídeos sobre preço dos alimentos e abre debate sobre liberdade de expressão
EMPATE TÉCNICO Lula e Flávio consolidam polarização e entram numa verdadeira gangorra pela Presidência
Mín. 25° Máx. 38°