
O regime iraniano executou ao menos 31 mulheres em 2024, estabelecendo o maior número de execuções femininas desde 2008, segundo a organização Iran Human Rights (IHRNGO). Desde 2010, estima-se que 241 mulheres tenham sido executadas no país, refletindo a brutalidade da pena de morte e as profundas desigualdades de gênero no sistema judicial iraniano.
"A execução de mulheres no Irã não apenas evidencia a crueldade da pena de morte, mas também destaca a discriminação de gênero profundamente enraizada no sistema jurídico do país", afirma o relatório divulgado pela ONG.
Mahsa Amini e a repressão sistemática
Desde a morte de Mahsa Amini, em setembro de 2022, o regime de Teerã tem enfrentado protestos generalizados. A jovem de 22 anos foi presa pela chamada “polícia moral” por suposto uso inadequado do hijab e morreu sob custódia em circunstâncias controversas. Autoridades alegaram que Mahsa sofria de problemas de saúde pré-existentes, mas nenhuma prova foi apresentada para sustentar essa versão.
A morte de Mahsa catalisou uma onda de manifestações em defesa dos direitos das mulheres e contra a opressão estatal, desencadeando uma repressão violenta por parte das autoridades. Centenas de manifestantes foram mortos e milhares detidos em resposta aos protestos.
Brasil e a omissão na ONU
Apesar das violações flagrantes de direitos humanos, o Brasil absteve-se de condenar o Irã em novembro de 2024 durante uma votação na Organização das Nações Unidas (ONU). A delegação brasileira, representando o governo Lula, justificou a decisão com base na necessidade de manter um "diálogo construtivo" com o regime iraniano.
A posição do Brasil acompanhou a postura dos demais integrantes do BRICS (China, Rússia, Índia e África do Sul), que também optaram por não condenar o Irã. Essa foi a segunda vez em que o país se absteve em uma votação relacionada às violações de direitos humanos no Irã.
Anteriormente, o Brasil já havia evitado apoiar uma resolução que buscava ampliar investigações sobre os crimes cometidos pelo regime iraniano, incluindo a repressão que resultou na morte de Mahsa Amini. Segundo Tovar da Silva Nunes, chefe da Delegação Permanente do Brasil na ONU, o governo iraniano estaria "cooperando com investigações" e, por isso, não seria necessária uma condenação explícita.
Uma tragédia sem fim
A execução de mulheres no Irã escancara a face brutal de um regime que reprime brutalmente vozes dissidentes, particularmente de mulheres e minorias. Enquanto isso, a omissão internacional, incluindo a do Brasil, levanta questionamentos sobre os limites do diálogo diplomático frente à violação de direitos humanos.
A teocracia iraniana segue utilizando o sistema judicial para silenciar mulheres, ativistas e qualquer pessoa que desafie as normas patriarcais impostas pelo Estado, transformando a busca por justiça em uma luta ainda mais árdua.
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