
Nicolás Maduro tomou posse nesta sexta-feira (10) para um novo mandato presidencial de seis anos, que deve durar até 2031, perpetuando sua permanência no poder na Venezuela. A cerimônia, realizada na Assembleia Nacional em Caracas, foi presidida por Jorge Rodríguez, aliado próximo de Maduro e chefe do Parlamento. Apesar da oposição venezuelana e da comunidade internacional contestarem a legitimidade do processo eleitoral de julho, o evento contou com a presença de autoridades chavistas e aliados internacionais, incluindo os ditadores Miguel Díaz-Canel (Cuba) e Daniel Ortega (Nicarágua), além de representantes da Rússia e da Bolívia.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora formalmente não reconheça a vitória de Maduro, enviou à cerimônia a embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, como representante oficial. A decisão de não enviar um membro de nível mais alto da diplomacia brasileira reflete o desconforto do governo Lula com a falta de transparência nas eleições e as denúncias de fraude. Desde que os resultados da eleição foram divulgados, o governo brasileiro tem cobrado explicações do regime venezuelano, principalmente sobre a ausência de atas eleitorais que validem os números anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado por Maduro.
Embora o governo Lula tenha demonstrado reticências em relação ao processo eleitoral, o PT e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram mais enfáticos em apoiar a continuidade do regime chavista. Durante a cerimônia, integrantes do PT e do MST se fizeram presentes, reafirmando sua solidariedade ao governo de Maduro. O líder do MST, João Pedro Stédile, e outros membros do movimento estão na Venezuela desde o início da semana para participar de eventos como o "Festival Mundial da Internacional Antifascista", promovido pelo Foro de São Paulo. Além disso, o PT, em uma nota oficial, classificou as eleições venezuelanas como "uma jornada pacífica, democrática e soberana", apesar das várias denúncias de perseguição política e repressão de opositores.

O apoio explícito de figuras do PT e do MST à reeleição de Maduro tem gerado críticas, tanto no Brasil quanto no exterior. Embora o governo Lula tenha evitado um reconhecimento formal da vitória, a presença diplomática da embaixadora Glivânia na posse e o apoio do PT indicam uma postura mais conivente com o regime. Além disso, organizações de esquerda brasileiras, incluindo o MST, têm pressionado Lula para que reconheça oficialmente a vitória de Maduro, destacando a importância de respeitar a "soberania popular venezuelana".
Durante a cerimônia, Maduro discursou afirmando que o "novo período presidencial será de paz, prosperidade, igualdade e nova democracia", tentando apresentar sua reeleição como um ato legítimo e constitucional. No entanto, o governo venezuelano segue sendo amplamente criticado por sua falta de transparência nas eleições de julho e pela repressão violenta contra opositores. O ex-diplomata Edmundo González, apontado pela oposição como o verdadeiro vencedor das eleições, se asilou na Espanha após ser intimado pela Justiça venezuelana e acusado de "usurpação de funções".
Além das tensões políticas internas, o regime de Maduro segue isolado internacionalmente. A cerimônia de posse foi amplamente boicotada, com poucos líderes democráticos presentes. A maioria dos países vizinhos, incluindo o Brasil, demonstraram uma postura crítica em relação à reeleição de Maduro, enquanto os aliados do regime, como Cuba e Nicarágua, reforçaram seu apoio. O distanciamento das potências democráticas e a crescente repressão interna têm levado a uma intensificação da crise política e humanitária no país, com mais de 2.400 opositores presos desde as eleições e pelo menos 24 mortos em ações violentas.
A situação na Venezuela continua a ser uma preocupação crescente para a comunidade internacional. O fechamento da fronteira com o Brasil, também anunciado nesta sexta-feira, é mais uma medida punitiva do regime de Maduro, que intensifica a pressão sobre os países vizinhos, especialmente em meio aos fluxos migratórios massivos de venezuelanos em busca de refúgio. A decisão de bloquear a passagem de veículos na divisa entre a Venezuela e o Brasil, na cidade de Pacaraima (RR), reflete a escalada de tensão regional e o controle rigoroso que o regime chavista exerce sobre seu território.
O caso de María Corina Machado, líder oposicionista que foi brutalmente interceptada e detida pelas forças chavistas, e a falta de liberdade para a oposição venezuelana ilustram o quadro de autoritarismo que ainda predomina no país. A repressão de figuras políticas e a criminalização da oposição têm sido a tônica do governo de Maduro, que segue se mantendo no poder à custa de um regime de exceção e do silêncio de boa parte da comunidade internacional, que hesita em tomar medidas mais enérgicas contra o regime.
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