
O fornecimento de gás natural russo para grande parte da Europa foi interrompido nesta quarta-feira (1º), quando chegou ao fim o contrato assinado em 2019 entre Rússia e Ucrânia. O acordo, que garantiu o transporte do combustível através de gasodutos no território ucraniano, não foi renovado devido à guerra em curso. Embora a União Europeia tenha reduzido significativamente sua dependência do gás russo nos últimos anos, o fim desse contrato gerou preocupação em alguns países, especialmente os mais dependentes da commodity.
A empresa estatal russa Gazprom confirmou a suspensão do fornecimento. “Desde as 08h00 [02h00 em Brasília], não foi mais fornecido gás russo por meio da Ucrânia”, informou a companhia em comunicado. Essa interrupção marca um momento histórico para o ministro da Energia ucraniano, Guerman Galushchenko, que comemorou a medida como um golpe nas finanças russas. Ele destacou que a decisão enfraquece a capacidade de Moscou de usar o gás como ferramenta de barganha geopolítica.
Apesar da interrupção, cerca de 5% do gás importado pela União Europeia ainda chegava via Ucrânia, uma fração do volume total de 10 bilhões de metros cúbicos adquiridos do exterior. A UE declarou estar preparada para o corte e enfatizou os esforços realizados desde 2022 para diversificar as fontes de energia. Em 2023, o gás russo representava apenas 10% das importações do bloco, contra 40% em 2021. Parte do fornecimento continua por meio do gasoduto TurkStream, que conecta a Rússia a países como Bulgária e Hungria, além de embarques de gás natural liquefeito (GNL).
No entanto, a situação é mais crítica para países menores como a Moldávia e a Eslováquia. Na Moldávia, a presidente Maia Sandu acusou o Kremlin de usar a energia como forma de chantagem política, especialmente com as eleições legislativas de 2025 no horizonte. O país, que depende de uma usina localizada na região separatista da Transnístria para a maior parte de sua eletricidade, declarou estado de emergência temendo colapsos no fornecimento.
Na Eslováquia, o primeiro-ministro Robert Fico, um aliado do Kremlin dentro da UE, criticou a decisão da Ucrânia e buscou apoio em Moscou. Ele também ameaçou cortar o fornecimento de eletricidade para a Ucrânia, em retaliação aos danos causados pelos ataques russos à infraestrutura energética local. Analistas militares alertam para o risco de a Rússia decidir bombardear os gasodutos ucranianos, que foram poupados até agora, aumentando a tensão em um cenário já delicado.
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