
O acidente de avião no Aeroporto Internacional de Muan, na Coreia do Sul, que deixou mais de 179 mortos, levanta suspeitas de que a causa principal seja uma colisão com pássaros. No entanto, falhas mecânicas ou manutenção inadequada também estão sendo consideradas, o que torna essencial uma investigação aprofundada para determinar os fatores exatos do desastre.
O avião envolvido no acidente, identificado como um Boeing 737-800 (registro HL8088), caiu na pista do aeroporto no dia 29. A aeronave, operada pela Jeju Air, colidiu contra a parede externa da pista após o motor falhar durante a tentativa de pouso. A fuselagem acabou tocando o solo sem que o trem de pouso estivesse abaixado, resultando em um incêndio devastador.
Colisão com pássaros: hipótese principal
As autoridades investigam como hipótese inicial uma colisão com pássaros. De acordo com o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transporte, responsável pela segurança aérea na Coreia do Sul, a torre de controle do Aeroporto de Muan alertou sobre a presença de aves na área seis minutos antes do acidente.
Um dos tripulantes sobreviventes relatou à equipe de resgate que “possivelmente houve uma colisão com pássaros” e descreveu que um dos motores soltava fumaça antes de explodir. A hipótese é de que um bando de aves tenha sido sugado para dentro do motor, causando problemas no sistema hidráulico conectado.
Suspeitas de falha mecânica
Apesar da evidência inicial de colisão com pássaros, especialistas também consideram a possibilidade de falha mecânica. O avião, fabricado em 2009 e adquirido pela Jeju Air em 2017, tem 15 anos de operação, uma idade considerada intermediária. Contudo, há suspeitas de que o motor apresentasse problemas pré-existentes.
Essa não seria a primeira vez que a Jeju Air enfrentou problemas com colisões de pássaros. Em novembro de 2022, um voo retornou ao aeroporto de Kansai, no Japão, alegando o mesmo motivo. Entretanto, na ocasião, surgiram denúncias de que a empresa estaria atribuindo falhas mecânicas a colisões com pássaros para evitar penalidades financeiras e regulatórias.
Outra questão levantada é a possível falha no trem de pouso. Normalmente, o sistema do trem de pouso opera de forma independente do motor, o que levanta dúvidas sobre por que ele não foi acionado. Essa será uma área de investigação separada.
Erro humano é improvável
A possibilidade de erro do piloto é considerada baixa. O capitão acumulava 6.823 horas de voo, enquanto o copiloto tinha 1.650 horas de experiência. Ambos foram elogiados por suas tentativas de pousar a aeronave em uma situação crítica, mesmo sem o funcionamento do trem de pouso.
Críticas à infraestrutura do aeroporto
Alguns especialistas sugeriram que a pista do Aeroporto de Muan, com 2.800 metros de extensão, poderia ter contribuído para o acidente. Contudo, o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transporte rebateu a alegação, afirmando que a pista está dentro dos padrões operacionais e é mais longa do que as de outros aeroportos regionais do país.
Investigação pode levar meses
Determinar a causa exata do acidente pode levar meses, ou até anos. Um exemplo é o acidente da Asiana Airlines em San Francisco, em 2013, cuja investigação levou 11 meses. A Boeing, fabricante do avião, já se ofereceu para colaborar com as autoridades sul-coreanas no processo investigativo.
Vítimas e sobreviventes
Das 181 pessoas a bordo (175 passageiros e 6 tripulantes), 179 foram confirmadas mortas. Os dois sobreviventes, ambos tripulantes, foram resgatados da cauda da aeronave e encaminhados ao hospital com ferimentos sem risco de vida.
O acidente deixa marcas profundas na aviação sul-coreana e destaca a importância de medidas rigorosas de segurança para evitar tragédias semelhantes no futuro.
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